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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

26
Jun22

Jéssica

Que sempre existiram casos de crianças mal tratadas e assassinadas às mãos de quem os devia proteger, todos sabemos, mas as descrições da morte da pequena Jéssica atingem-nos de tal forma que ficamos sem saber se seriam humanos aqueles que dela tinham o dever de cuidar, acima de tudo o resto.

Esta semana, esta menina sofreu horrores, numa casa desconhecida, às mãos de uma família que a fez refém, a abusou, a maltratou e a entregou depois quase morta à progenitora. Aquela que a pariu, que mãe nunca foi, não quis meter-se se calhar em trabalhos e deixou a menina a agonizar em casa, saindo talvez para não olhar a filha na hora da morte. Depois de preparar um discurso inventado, ligou para o 112, para que levassem a menina ao hospital. Só quando os últimos fios de vida se esvaíam do seu corpo, talvez quando achou que não seria bom deixar ali o corpo daquela filha. 

Não imagino a dor daqueles técnicos de emergência, a dor dos enfermeiros e dos médicos quando, depois de fazerem os possíveis e impossíveis a qualquer humano, declararam a morte de uma criança. A beleza daquele sorriso, vai estar nos jornais por muito tempo, mas a face estampada da morte de um anjo, as marcas, ferimentos, hematomas e queimaduras, nunca sairão da memória deles. 

O que será a justiça para com quem a matou e para quem a deixou morrer? Que ódio tal pode haver por uma menina tão pequenina?

22
Jun22

Chegou o verão

Verão. Dias quentes, dias maiores, dias mais bonitos...

Não sei se entretanto me enganei na estação, ou se saí antes da minha paragem, mas está frio, estou cheia de dores e tive de ir novamente assaltar a farmácia. Não posso ficar na cama como me apetecia porque (felizmente) já em encontro a trabalhar e estou muito feliz com isso. Mas subir a escada até à minha sala tem sido um martírio nos últimos dias, apenas superada pela dura tarefa de voltar a descer. Sim, descer é bem mais custoso que subir, não me perguntem porquê.

E é isto, passar os feriados e fins de semana na cama e no sofá, apenas me obrigando a levantar para as coisas obrigatórias como levar o meu filho ou ir buscar e ir acompanhar os meus atletas aos jogos e torneios marcados e aos quais não posso faltar. De resto, estou a adorar a chegada do verão este ano...

08
Jun22

Paula Rego

Faleceu a pintora Paula Rego, com 87 anos, na sua casa em Londres onde estava acompanhada da família.

Nascida em Lisboa, no dia 26 de janeiro de 1935, a pintora dividiu sempre opiniões em relação à sua obra. O que não podemos deixar de dizer é que usava a arte para fazer valer os seus valores contra a opressão, o que muitas vezes fazia com que uns a admirassem e outros a odiassem. Uma dessas coleções foi "Aborto", tendo sido se calhar a que recentemente mais impacto político e social teve em Portugal, produzida durante a campanha pela despenalização deste procedimento no nosso país.

Paula Rego começou a desenhar ainda criança, partindo das ideias das histórias que lhe contavam e daquilo que via e imaginava. Cedo lhe reconheceram talento e os seus professores (na St. Julian´s School, em Carcavelos) ajudaram a que fosse possível ir para Londres apenas com 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Em 1975, conseguiu uma bolsa atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian para poder fazer pesquisa sobre contos infantis. 

Seria em Londres que viria a conhecer o artista inglês Victor Willing, que viria a ser seu marido. Mais tarde, em Cascais, Paula Rego exibiu por várias vezes na Casa das Histórias a obra deste conhecido artista que faleceu vítima de esclerose múltipla. É também na Casa das Histórias que está uma grande parte do acervo das suas obras.

Na pintura, Paula Rego destaca-se então pelas imagens típicas da infância, por vezes até consideradas fetichistas ou mesmo traumáticas. Podemos dizer que se relacionam ou que exemplificam cenas de violência. Os animais são frequentemente os protagonistas da sua linguagem artística, mas representa também outros temas como as mulheres ou o abuso do poder.

A artista recebeu vários prémios, tais como o Prémio Turner em 1989 (atribuído normalmente a artistas britânicos), o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2013, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 2004.  No ano de 2010, Paula Rego foi galardoada com a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes, das mãos da Rainha Isabel II. Em 2016, recebeu também a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.