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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

Caderno Diário

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

 

Dois anos de pandemia

Acordamos agora sem que a primeira manchete seja o Covid, a pandemia, os mortos... ah sim, afinal acordamos com mortos mas estes não são da pandemia que durante dois anos assolou o país, a Europa e o resto do mundo, agora os mortos são Ucranianos e Russos, famílias desfeitas de um dia para o outro. Acordamos agora com preços a subir, quando deveriam estar a descer. Acordamos solidários com um povo em fuga, sem sabermos se ou quando vamos ser nós a precisar de ajuda.

A vida é estranha e ensina-nos que não devemos dar nada como garantido. De que vale uma boa casa, um grande carro se podemos perder tudo de um dia para o outro com um missil? 

Dois anos passados do início da pandemia, Portugal deveria estar agora a dar os primeiros passos para que tudo voltasse ao normal mas sem nos deixarem sequer respirar atiram-nos direto mais para o fundo de um buraco do qual não sabemos quando vamos emergir. 

Temos a sorte de viver num país em paz, em que estamos a vencer a batalha contra o Covid, mas que ainda não se vai recompor tão cedo das duras provações a que fomos sujeitos nos últimos dois anos. Porque não nos permitem que respiremos, sem sombras na nossa mente que nos ofusquem os sonhos?

Dos heróis...

... que as guerras fazem, vão-se ouvir histórias. 

Ninguém vai esquecer que um homem, Zelenski, que de olhar cansado, dá força a um país em guerra e pede ajuda aos países vizinhos, sem nunca se rebaixar perante o ataque indiscriminado a que a sua população está a ser sujeita.

Pode morrer, ele sabe bem disso, mas não saiu do seu país, onde tenta ainda controlar as suas tropas, manter as suas fronteiras e salvar as principais cidades. Às pessoas foram pedidas duas coisas: que se abrigassem ou que fugissem, no caso das mulheres, crianças e idosos, que lutassem e defendessem as suas ruas e casas, aos homens em idade e condições de conseguir lutar.

Que nunca se esqueçam que nos hospitais, já com poucos meios devido a esta bárbara invasão, estão crianças a lutarb contra doenças, contra cancros, contra a morte e que agora têm de lutar contra bombas que caem indiscriminadamente. Não é uma guerra justa - se houvesse justiça na guerra - quando se atacam hospitais, infantários, bairros residenciais. Quando se espera pela luz do dia, quando as pessoas tentam ir comprar pão e água, para se atacar edifícios onde ao lado estão pessoas a aguardar numa fila de supermercado. 

Era bom que não tivessemos de falar em heróis, em soldados, em jovens mortos de ambos os lados nem em mães de colo vazio que choram na mesma língua da dor.

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