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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Quando se importarem...

...comigo, avisem.

É que uma consulta, quase dois anos depois, é no mínimo um gozo que só uma chamada de atenção da minha médica de família (que pediu uma reavaliação) conseguiu resolver. Claro que vou à consulta, porque PRECISO mesmo que me dêem atenção, um diagóstico, uma solução!

Mas a vontade é de dizer que morri, devido à inoperância e ao tempo de espera. Que me suicidei à espera que me digam que afinal não sofro de Esclerose Múltipla, que é "só" fibromialgia, mas "não podemos escrever isso porque tem outros problemas". Ah sim, claro, isso eu sei, problemas é o que eu mais tenho, mas se calhar ajudava dar um nome e um tratamento a cada um desses problemas e não me dizerem apenas que tenho de "aprender a lidar com a dor", "descansar" (ora, se faz favor, eu aviso onde para me porem o dinheiro na conta enquanto fico a descansar?), e fazer pilatos, hidroginástica (adorava, alguém que pague as aulas, ou pago com o dinheiro que não ganho se ficar em casa a descansar?)

Enganaram-se na pessoa ao distribuir as doenças!

Porra, eu não tenho dinheiro para fazer acunputura, para fazer pilatos clínico, para ir para a hidroginástica num local em que me garantam (garantido mesmo!) que a água é quente! Lá vou dando o luxo a mim mesma de pagar uma massagem, onde sei que me tratam bem e que é mais barato (minha querida Sara e Anjo Reyel), sabendo que vou trocar algumas das minhas refeições na próxima semana por uns cafés de pacote a enganar o estômago!

Nem a medicação, porque deixei (sim, sou estúpida ou...) acabar o prazo de comprar a receita e na farmácia não me vendem sem uma receita nova. Mas como sei que vou este mês ter consulta na Unidade da Dor, não vou pedir à médica a medicação, aviar e depois trocarem-me os medicamentos por outros. É que há dois anos atrás, na primeira e única consulta em que lá estive, a médica que na altura achei impecável, mudou-me o plano de tratamento e disse que "era para ir avaliando" enquanto escrevia no pedido "muito urgente" de uma ressonância a expressão "suspeita de EM. Estúpida não sou, mas claro que sabia o que estava a tentar despistar. Mas depois acho que o seguimento foi muito mal feito. Nunca me disseram o que tinha ou não tinha. Na consulta de neurologia, a médica que nem olhou para os exames que eu trazia, só que me disse "está bom, ainda não é para operar", referindo as minhas fantásticas hérnias e "o resto?" perguntei eu, "qual resto?", "as dores", "isso não é para aqui, mas posso pedir uma reavaliação na ortopedia".

E pronto, cá estou eu, um ano epouco depois desta fantástica consulta, sem saber o que "está bom", o que "pode ficar pior" e com um plano provisório para tratar a EM ainda dois anos depois. Por isso, resolvi mesmo parar, tudo, esperar a consulta da dor e o que aí vem. A médica será outra, por isso talvez tenha mais sorte desta vez. Talvez esta me entenda, me diga o que tenho e como lidar antes de me medicar, e que depois me medique em condições. Só isso que eu quero. Para que eu consiga, se não conseguir trabalhar, receber uma ajuda, algo que me pague as contas em atraso, não tenha de escolher de entre os muitos medicamentos os que compro este mês e os que compro só quando puder como se isso fosse um luxo ou pudesse ser uma escolha minha!

Ter uma doença crónica, degenerativa, nunca pode ser visto com leveza, sem acompanhamento, devia ser um trabalho multidisciplinar de várias especialidades, não de consultas de dois em dois anos.

Com um mês de guerra

Faz um mês que o reconhecimento de Putin à independência das autoproclamadas províncias de Donetsk e Luhansk deu início à guerra na Ucrânia. 

Ainda me parece surreal que no meio de 2022, alguém diga que conduz uma operação especial para desnazificar um povo, com um discuso baseado em mentiras.Não conseguia imaginar isto, parece tão estúpido e arcaico. Estamos a ver em direto, a tentativa de conquista de um povo através de uma invasão militar, que já matou centenas de pessoas, sobretudo civis, destruiu várias cidades, vilas e aldeias, e causou a maior vaga de refugiados na Europa, desde a II Guerra Mundial. O que é isto?

E aqui nesta ponta da Europa, lá vamos, como bons portugueses sempre prontos a ajudar, enviando roupa para os refugiados que tentam não ser mortos, comida, ou abrindo portas para os receber. Cerca de quatro milhões de refugiados passam as fronteiras. Nestes momentos, salta à vista que os governos dos outros países se podiam unir, mas nenhum de nós quer a guerra a entrar pela casa dentro. Se for para ajudar dizemos todos que sim, mas de preferência, lá na distância a que ainda estão.

Ninguém consegue ficar indiferente às barbáries que estão a ser cometidas e, mesmo havendo blocos noticiosos com imagens reais e tantas vezes em direto, não somos ainda capazes de saber tudo o que se está a passar ali na Ucrânia. A Aliança Atlântica não se quer envolver, como ficou bastante claro. O que vai lá sobrar no fim disto tudo? Escombros e morte, muitos pelas ruas à espera de terem um fim digno, sabe-se lá quandos escondidos em caves e abrigos, desaparecidos.

Nem os corredores humanitários conseguem cumprir a sua missão sem ser atacados, que como salvavidas, lá vão trazendo mais algumas pessoas em fuga ou levando comida, água e medicamentos aos que lá estão. E mesmo assim, repito, são atacados e bombardeados. 

Crimes de guerra

Esta expressão sempre me causou alguma perplexidade, porque a guerra em si é um crime, pelo menos para mim, por isso não há em lado nenhum partes da guerra que sejam boas e outras más, que sejam mais graves do que outras. Guerra é guerra.

Mas olhar as notícias dá-me um aperto no estômago. "Ninguém os recebe, só nós!" Dizia um homem a um repórter, quando falava dos mortos que tem num espaço apertado. As famílias que não sabem deles ou que não lhes sabem o que fazer. 

43 ataques a hospitais.

E além de tudo o que já vimos e que não podemos perdoar, um ataque a uma sala de espetáculos onde se abrigavam pessoas com crianças.

Em Mariupol um outro complexo desportivo onde pessoas se abrigavam, foi também bombardeado. Mas que cessar fogo? Ainda não perceberam que eles nunca vão parar enquanto não subjugarem o povo? Quando não houver mais nada para destruir, mais vidas para salvar, vão ganhar a guerra. Aí estaremos todos envolvidos, porque não vão ficar por ali. Esperaram o momento certo para atacar e se ganharem ali, vão avançar para os países vizinhos.

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

 

Dois anos de pandemia

Acordamos agora sem que a primeira manchete seja o Covid, a pandemia, os mortos... ah sim, afinal acordamos com mortos mas estes não são da pandemia que durante dois anos assolou o país, a Europa e o resto do mundo, agora os mortos são Ucranianos e Russos, famílias desfeitas de um dia para o outro. Acordamos agora com preços a subir, quando deveriam estar a descer. Acordamos solidários com um povo em fuga, sem sabermos se ou quando vamos ser nós a precisar de ajuda.

A vida é estranha e ensina-nos que não devemos dar nada como garantido. De que vale uma boa casa, um grande carro se podemos perder tudo de um dia para o outro com um missil? 

Dois anos passados do início da pandemia, Portugal deveria estar agora a dar os primeiros passos para que tudo voltasse ao normal mas sem nos deixarem sequer respirar atiram-nos direto mais para o fundo de um buraco do qual não sabemos quando vamos emergir. 

Temos a sorte de viver num país em paz, em que estamos a vencer a batalha contra o Covid, mas que ainda não se vai recompor tão cedo das duras provações a que fomos sujeitos nos últimos dois anos. Porque não nos permitem que respiremos, sem sombras na nossa mente que nos ofusquem os sonhos?

Dos heróis...

... que as guerras fazem, vão-se ouvir histórias. 

Ninguém vai esquecer que um homem, Zelenski, que de olhar cansado, dá força a um país em guerra e pede ajuda aos países vizinhos, sem nunca se rebaixar perante o ataque indiscriminado a que a sua população está a ser sujeita.

Pode morrer, ele sabe bem disso, mas não saiu do seu país, onde tenta ainda controlar as suas tropas, manter as suas fronteiras e salvar as principais cidades. Às pessoas foi pedido duas coisas, que se abrigassem ou fugissem às mulheres e crianças e que lutassem e defendessem as suas ruas e casas, aos homens em idade e condições de lutar.

Que nunca se esqueçam que nos hospitais, já com poucos meios devido a esta bárbara invasão, estão crianças a lutarb contra doenças, contra cancros, contra a morte e que agora têm de lutar contra bombas que caem indiscriminadamente. Não é uma guerra justa - se houvesse justiça na guerra - quando se atacam hospitais, infantários, bairros residenciais. Quando se espera pela luz do dia, quando as pessoas tentam ir comprar pão e água, para se atacar edifícios onde ao lado estão pessoas a aguardar numa fila de supermercado. 

Era bom que não tivessemos de falar em heróis, em soldados, em jovens mortos de ambos os lados nem em mães de colo vazio que choram na mesma língua da dor.

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