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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

Caderno Diário

A luta não termina

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.

Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.

Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.

No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.

Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?

Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

Carlos Miguel

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

entrevista tarde é sua carlos miguel

Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986, que não vi no original, mas vi várias vezes em repetições que iam sendo transmitidas na RTP.  A minha avó, fã de teatro de revista, tinha cassetes que ia gravando com transmissões televisivas de revista e que eu ia vendo sempre que ela me deixava.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama.

O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses.

Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos.

Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

 

Fontes:

https://www.publico.pt/2021/06/19/culturaipsilon/noticia/morreu-carlos-miguel-actor-comedia-fininho-concurso-123-1967200

https://ionline.sapo.pt/artigo/738832/morreu-carlos-miguel-um-ator-tao-amado-e-depois-esquecido?seccao=Mais_i

https://tvi.iol.pt/atardeesua/videos/a-tarde-e-sua-carlos-miguel-o-fininho/543ff4d23004b8a32596eecf

 

 

O atentado de Nice de 2016

O atentado ocorrido há 5 anos na cidade francesa de Nice deixou 86 mortos e 458 feridos. Por volta das 22h40 de 14 de julho de 2016, um camião de 19 toneladas com semirreboque invadiu a avenida marginal de Nice, onde se celebrava o Dia da Bastilha, no sul da França, atropelando indiscriminadamente todos quantos lá estavam nos festejos. Quinze menores e 33 estrangeiros estavam entre as vítimas do atentado que suscitou emoção a nível internacional.

 O ataque só terminou depois de uma troca de tiros com a polícia, que matou o condutor, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, um indivíduo de 31 anos de idade, de nacionalidade tunisína e que residia em França. O homem já tinha cadastro por violência doméstica. 

O clima foi de pânico, já que ninguém sabia se era um acidente ou se o motorista atingiu as pessoas deliberadamente. Várias delas entraram no mar para se proteger.

Algumas testemunhas dizem que a polícia atirou contra o motorista para tentar impedir os atropelamentos. Alguns táxis que estavam na região transportaram gratuitamente as pessoas que tentavam deixar o local, logo depois do atentado.

A16 de julho de 2016, o Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, confirmando que o condutor do caminhão "era um dos soldados"  instruídos a cometer atentados terroristas contra países que participem de ações bélicas contra o grupo.

Este foi o terceiro ataque terrorista no país em apenas uma ano e meio, o que deiou a população muito insegura. Em 2020, depois de concluída a investigação, os juízes de instrução anunciaram que decidiram que os oito acusados iriam comparecer perante o tribunal, três dos quais por “associação criminosa terrorista”.

O Dia da Bastilha é um feriado francês que comemora, sempre a  14 de julho, a Tomada da Bastilha em 1789, evento decisivo para o início da Revolução Francesa. A bastilha era uma antiga fortaleza usada pela monarquia como prisão.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_julho_de_2016_em_Nice

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/veiculo-atinge-multidao-em-queima-de-fogos-do-14-de-julho-em-nice.html

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2020/11/10/oito-pessoas-vao-a-julgamento-pelo-atentado-de-2016-com-camiao-em-nice/214345/

 

1991 - 30 anos depois, "espreitamos" o vulcão das Filipinas

Fascinantes e assustadores, os vulcões fazem parte do dia a dia do planeta há bilhões de anos. Como outros fenómenos naturais, sua atividade por vezes é imprevisível e pode provocar grande destruição.

Originalmente com 1,8 mil metros de altura, o Monte Pinatubo, nas Filipinas, ficou com 1,4 mil metros após a explosão ocorrida em 9 de junho de 1991. O cume do Monte explodiu como uma rolha, formando uma gigantesca cratera, sendo que se estima que o vulcão estivesse inativo há cerca de 600 anos.

Felizmente, os avanços registados até à época, permitiram que fosse feita uma comunicação prévia a respeito da iminência da erupção e assim os moradores do local puderam evacuar a tempo. Ainda assim, cerca de 800 pessoas acabaram por perder a vida.

As gotas de chuva transformaram as cinzas em uma avalanche de lama que soterrou casas, pontes e povoados inteiros. Cerca de 80 mil hectares de solo fértil desapareceram. Mais de 600 mil pessoas perderam seus lares.

O material lançado na atmosfera circundou o globo em três semanas e cobriu 42% do planeta dois meses depois da erupção. O inverno extremamente rigoroso da Nova Zelândia em 1992, os violentos ciclones daquele ano, assim como as chuvas torrenciais que alagaram o oeste dos Estados Unidos em 1993 foram atribuídos aos efeitos atmosféricos ocasionados pelo Pinatubo.

Fontes:

https://olhardigital.com.br/2023/03/14/ciencia-e-espaco/conheca-as-5-maiores-erupcoes-vulcanicas-da-historia/

https://www.dw.com/pt-br/1991-erup%C3%A7%C3%A3o-do-pinatubo-traz-mortes-e-destrui%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0s-filipinas/a-318985

 

A caminho

Estou entre trilhos, com a saída de um trabalho e a caminho de outro. Será um salto no vazio, pois não sei o que me espera, mas não sou pessoa de sofrer com as perdas o suficiente para ficar enroscada sem avançar.

Eu já estava naquela fase em que cada dia se tornava um sacrifício sair de casa e entrar no carro. A ideia de poder mudar estava presente há muito tempo, mas tinha pena de abandonar o barco durante a pandemia. Então não é que me empurraram borda fora? Não há lá coisas estranhas, que nos acontecem? Feliz por não ter de ser eu a tomar a decisão e de magoar as outras pessoas, avancei em pouco mais de dois dias e amanhã começo numa nova morada.

Haverá sempre aquela incerteza, mas se aprendi algo nestes últimos meses, é que a Terra vai continuar a girar, esteja cá eu ou não e que se algo posso fazer para ficar melhor enquanto cá estiver, bolas, vou em frente!