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Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!
Assinala-se hoje a passagem de 35 anos sobre o maior acidente nuclear alguma vez registado. O acidente terá resultado de uma falha na execução de uma tarefa e, possivelmente, da falta de algumas medidas e procedimentos de segurança, mas isso, eu acho que nunca ficou bem provado.
"Os relatórios e estudos sobre o acidente repartem as responsabilidades entre a conceção defeituosa do reator, as condições deficientes em que o teste foi realizado e a falta de preparação técnica da equipa técnica da central," sendo que nesse momento era a equipa da noite que se encontrava de serviço e que alguns dos intervenientes teriam pouca experiência.
Chernobyl, é uma cidade localizada perto da "fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia. Na noite de 26 de Abril de 1986, "o principal reactor da central nuclear", foi sujeito a um teste de resistência. "Foi simulada uma perda de abastecimento da energia externa que alimentava o sistema para verificar se os sistemas de segurança funcionavam de forma correta e aconteceu o desastre." O reactor "foi destruído por uma série de explosões que lançaram na atmosfera de toda a Europa nuvens de material altamente radioativo."
O incêndio que deflagrou foi combatido por brigadas de bombeiros que, ignorando os riscos que corriam ou talvez por falta de equipamentos adequados à época, acabaram por morrer "devido aos altos níveis de radiação. Foi declarado o estado de emergência na região e ordenada a evacuação da cidade mais próxima. No entanto, a descoordenação das autoridades e a demora em reconhecer a gravidade do problema acabaram por piorar substancialmente o panorama."
Sob domínio do regime soviético, que tentou esconder a verdadeira gravidade do problema, só no dia 28 é que foi confirmado que tinha havido "um problema em Chernobyl, depois de uma central nuclear sueca, a mais de 1000 km, ter detetado níveis de radioatividade muito elevados."
Apesar da central se localizar em território ucraniano, foi a Bielorrússia que sofreu os efeitos mais severos, tendo ficado "com 23% do seu território contaminado com radionuclídeos de Césio-137." A morte espalhou-se rapidamente, mas tentaram abafar as consequências da contaminação. "Centenas de pessoas morreram em torno de Chernobyl no momento do acidente e dezenas de milhares nos anos seguintes, a maioria com cancros provocados pela radiação."
Três dias depois do acidente, a Polónia regista também um elevado nível de radiação, a que se seguiram a Alemanha, a Áustria e a Roménia. "Em maio, a lista de países afetados já tinha aumentado largamente: França, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Israel, Kuwait e Turquia." Mais tarde acabaram por ser detetados "resquícios gasosos no Japão, China, Índia, Estados Unidos e Canadá," mostrando que todo o globo possa ter sido afetado de alguma forma.
Passados 30 anos, ainda se realizavam trabalhos de descontaminação na Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, mas muitos outros países foram afetados. Em Kiev, por exemplo, "no fundo do lago artificial nas proximidades da capital ucraniana foram detetados radionuclídeos," mostrando que ainda não é um território totalmente livre de radiação. Sabe-se que o "acidente de Chernobyl libertou uma quantidade de radiação correspondente a 400 bombas atómicas de Hiroshima," e que pode ter obrigado à deslocação de cerca de "350 mil pessoas."
A verdade é que ainda existem cerca de 72 reactores nucleares na Europa e o problema é que muitas destas "centrais nucleares estão velhas, 25 têm mais de 35 anos de existência. O tempo médio de vida de uma central varia entre 25 e 40 anos, dependendo das normas nacionais." Um dos riscos é que algumas destas centrais "foram construídas em zonas propensas a inundações ou terramotos."
Este reator "acabou por ser encerrado num sarcófago de cimento, alguns meses mais tarde, como forma de conter a radiação," embora não fosse esse cimento o suficiente para garantir a segurança. Só em 2016, termina a "construção da cobertura definitiva, em metal." Chernobyl foi até agora o "acidente mais grave ocorrido numa central nuclear e um dos dois acidentes que atingiu o nível máximo de gravidade na escala oficial da agência atómica internacional, sendo o outro o que ocorreu em Fukushima, em 2011."
No entanto, houve outros acidentes, não tão graves é verdade, mas desses ninguém fala...
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/acidente-nuclear-em-chernobyl/
Celebra-se hoje mais um dia da Liberdade. Mas ainda se lembram quando havia censura? Quando os livros, as notícias, os poetas eram censurados? Hoje venho escrever um pouco sobre os grandes poetas e sobre grandes intérpretes que tiveram a coragem de subir ao palco, com letras construídas metodicamente com a mestria de enganar a PIDE-DGS e passar pelos censores sem que as mensagens fossem reparadas.
A verdade é que poetas e autores, compositores e intérpretes, não ficaram indiferentes ao regime totalitário que existia em Portugal até ao dia 25 de Abril de 1974 e, através da sua arte, contribuíram para denunciar os abusos da ditadura e muitas conseguiram furar as malhas da censura impondo-se na música portuguesa.
Foi na verdade no Festival da Canção que apareceram grandes dos nomes que hoje conhecemos. Ali, se fez saber da vontade de gritar pela liberdade a plenos pulmões! Assim, não será de estranhar que a canção que se associa ao 25 de Abril de 1974 é aquela que nasceu (pensavam os censores da altura) "apenas" como um lindo poema de amor. Embora não tivesse sido a primeira escolha, o facto de ter sido aceite no Festival e de passar despercebida, fez com que fosse a escolhida como a primeira senha do movimento dos capitães. A canção "E Depois do Adeus" com letra de José Niza e música de José Calvário, foi brilhantemente interpretada no Festival da Canção e no Festival da Eurovisão pela voz de Paulo de Carvalho.
Outra canção que eu adoro e que nunca me canço de ouvir, pela voz grandiosa de Simone de Oliveira, é "A desfolhada", escrita por Ary dos Santos, em 1969 e com música de Nuno Nazareth Fernandes. Esta canção vem recheada de várias metáforas. Cantou Simone com a sua grandeza, Quem faz um filho, fá-lo por gosto, numa época em que era pecado a mulher ter prazer no ato sexual, dando uma autêntica pedrada no charco na hipocrisia e falsa moral vigente.
Em 1971, cantou no Festival da Canção Fernando Tordo a canção "Cavalo à Solta", onde só a ideia de liberdade já arreliava a PIDE. O poema, também era do mestre Ary dos Santos.
Em 1973, volta a dupla Fernando Tordo e Ary ao Festival com a canção "A Tourada", que foi uma genial critica ao antigo regime através de metáforas tauromáquicas. Depois da vitória desta canção no Festival, o então governo, ainda ponderou não enviar a canção à Eurovisão, mas o escândalo internacional, numa Europa esmagadoramente democrática, seria bem mais prejudicial e a canção lá foi até ao Luxemburgo. A mensagem estava lá e é incrível pensar como é que a censura não compreendeu que na letra deste poema não se falava afinal do espetáculos de touros e toureiros, mas sim do antigo regime, numa crítica extremamente inteligente e com um retrato fiel da sociedade de então:
"toureamos ombro a ombro as feras | ninguém nos leva ao engano | toureamos mano a mano | só nos podem causar dano esperas."
Neste mesmo ano regressa Simone de Oliveira com a canção "Apenas o meu povo", que lhe valeu o Prémio de Interpretação. Um poema de inconformismo e de uma certa revolta contra quem pretendia tirar a esperança ao povo que governava com mão de ferro
Ainda no Teatro Maria Matos no dia 26 de Fevereiro de 1973, com letra da autoria de Ary dos Santos é apresentada a concurso a canção "É por isso que eu vivo", interpretada por Paco Bandeira. Conseguiu o segundo lugar, com um poema que dizia que: "Eu sou a palavra lavrada e aberta, eu sou a raiz, eu sou a garganta de um homem que fala e sabe o que diz, eu sou o silêncio das trevas que penso, das coisas que digo, sou filho do tempo, sou fúria do vento, sou força do trigo." E voltava a estar lá o tal clamor, a crítica à censura e ao obscurantismo, a revolta contra a falta de liberdade e a opressão.
São tantas as letras que aqui poderia colocar, mas vou apenas falar de mais uma, já no ano de 1974. O grupo Green Windows cantou nesse ano, a canção de José Cid, "No dia em que o rei fez anos", conseguindo um brilhante 2º lugar. A letra conta como é que no dia em que um rei faz anos, esse mesmo rei é deposto e como todos (o povo) saem à rua para celebrar a liberdade:
"Vieram tribos ciganas, saltimbancos sem eira nem beira, evitaram a estrada real, e passaram de noite a fronteira, e veio a gente da gleba, mais a gente que vivia do mar, para enfeitar a cidade, e abrir-lhe as portas de par em par para libertar a cidade leia-se o país…
…lá vai rei morto rei posto, levado em ombros p’la grei, e a festa continuou, já que ninguém tinha nada a perder, só ficou um trovador, p’ra contar o que acabava de ver."
A canção faz parte das comemorações do 25 de Abril. Lembremos sempre estes valentes que lutaram não com armas mas com a sua voz e com a sua capacidade de poetizar o dia a dia de um povo oprimido.
Fontes:
A CECA preparou o caminho para aquilo que hoje temos, a União Europeia. A "9 de maio de 1950," pouco tempo depois do fim da 2ª Guerra Mundial, Schumann propõe um plano "para uma comunidade europeia do carvão e do aço, chamada de Montanunion." Este plano tinha como intenção unir "e gerir em comum a produção franco-alemã de carvão e aço", integrando outros países europeus - mais concretamente os países pertencentes à Benelux (uma organização económica da qual faziam parte a "Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, sendo inicialmente uma área de livre comércio entre estes três países").
No ano seguinte, a 18 de abril, há precisamente 70 anos, é assinado em Paris o acordo para a "fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA)," por um grupo de seis países - Alemanha, França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda e que viria então a preparar "o caminho para a atual União Europeia."
Este acordo firmava em cem artigos a cooperação entre os seus membros num compromisso mútuo de "garantir um mercado livre de taxações para exportação e importação de aço e carvão e a não prejudicar o livre comércio."
Este mercado pretendia, entre outras coisas, "racionalizar progressivamente a distribuição da produção, garantindo estabilidade e emprego."
Seis anos depois de assinado o Tratado de Paris, são então assinados os Tratados de Roma que vão dar origem à Comunidade Económica Europeia (CEE) e à Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA ou Euratom), que viriam a dar origem à UE.
Fontes:
https://www.dw.com/pt-br/1951-criada-a-comunidade-europeia-do-carv%C3%A3o-e-do-a%C3%A7o/a-500071
https://pt.wikipedia.org/wiki/Benelux
https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_Europeia_do_Carv%C3%A3o_e_do_A%C3%A7o
Artur Garcia, morreu esta quarta feira, na véspera de completar 84 anos.
Poucos se lembram deste cantor que cedo deixou - ou foi afastado - da vida pública de cantor, mas que teve uma vida completamente dedicada à música e ao entretenimento. Faleceu quase a completar os 84 anos, após um período de doença e de um AVC que o deixa dependente. Estaria muito debilitado e a residir numa residência de Cuidados Continuados em Cascais.
Como outros grandes nomes da canção da sua geração, Artur Garcia frequentou o Centro de Preparação de Artistas da então Emissora Nacional. Além de programas como “Gente Nova ao Microfone” e “Serões para Trabalhadores”, participou em "Andam canções no ar", em "Melodias de Sempre" onde fazia duetos com vozes tão conhecidas como Simone de Oliveira, Fernanda Soares, Madalena Iglésias e Maria de Lourdes Resende.
Artur Garcia participou em várias edições do festival da canção, nomeadamente nas duas primeiras, em 1964 e 1965. Em 1967, interpretou “Porta Secreta”, uma canção composta pelo autor de “Ele e Ela”, Carlos Canelhas, com a qual atingiu o 5.º lugar, a sua melhor posição neste festival e que se revelou um dos maiores êxitos da sua carreira.
A última vez que representou o seu país na Eurovisão foi em 1974, com “Dona e Senhora da Boina”. Este foi um Festival da Canção muito particular, dele viria a sair a primeira senha para o arranque do Movimento das Forças Armadas que viria a devolver a liberdade e a democracia aos portugueses. Este Festival realizou-se a 7 de março no Teatro Maria Matos em Lisboa e teve apresentação de Artur Agostinho e de Glória de Matos.
Foi também ator em diversas peças e filmes e em algumas produções da RTP. De 1978 a 1998, com menos atividade nos palcos, foi proprietário de uma loja de discos, em Lisboa. Em 1977 fez com Amália Rodrigues uma digressão aos Estados Unidos.
Foi homenageado em 2005 pela Câmara Municipal de Lisboa, aquando dos 50 anos da sua carreira.
Em 2015, participou no espetáculo “Scarllaty – 40 Anos, A Vida à sua Maneira”, dedicado a Guida Scarllaty, a personagem criada por Carlos Alberto Ferreira, pioneiro do transformismo em Portugal.
Fontes:
https://www.dn.pt/cultura/morreu-o-cantor-artur-garcia-13571211.html
Como se não bastasse a situação de pobreza que afeta esta zona do globo, Indonésia e Timor estão a ser afetados por fortes chuvadas. Em Timor, as cheias repentinas provocaram a morte a, pelo menos, 27 pessoas, embora tenham sido encetados esforços para evacuar a população das áreas mais afetadas. "Há ainda várias pessoas dadas como desaparecidas, algumas delas estarão soterradas na sequência de deslizamentos de terra." A capital, Dili, foi a zona mais afetada. Para complicar ainda mais a frágil situação que ali se vive, o país está a braços com um dos maiores surtos de Covid desde que a pandemia foi declarada.
"As inundações afetaram várias estruturas usadas no combate à doença, como o Centro de Isolamento de Vera Cruz, onde estão três doentes considerados moderados e um doente grave, e que tiveram que ser realojados no Hospital de Lahane. Registaram-se ainda inundações no Laboratório Nacional e no centro de isolamento de Tasi Tolu, bem como no Serviço Autónomo de Medicamentos e Equipamentos de Saúde (SAMES), a farmácia central timorense."
Já na Indonésia, "o número de óbitos confirmados ultrapassa as sete dezenas mas há ainda muitos desaparecidos." Os estragos são incalculáveis, levando milhares de pessoas a procurar abrigo em centros de acolhimento. As equipas de resgate tentam ainda resgatar possíveis sobreviventes que tenham ficado presos nas infraestruturas, principalmente, na ilha das Flores, mas muitos podem estar soterrados na lama. "O dilúvio fez transbordar reservatórios de água e inundou milhares de casas, enquanto as equipas de resgate lutavam para prestar assistência às vítimas."
Fontes:
https://pt.euronews.com/2021/04/05/cheias-em-timor-leste-e-indonesia-provocam-dezenas-de-mortes
https://www.dnoticias.pt/2021/4/5/256613-pelo-menos-66-mortos-em-cheias-e-deslizamento-de-terras-na-indonesia/
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