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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

Caderno Diário

Catedral atacada na Indonésia

Um atentado suicida contra a catedral de Makassar, a leste da Indonésia, ocorreu após a missa do Domingo de Ramos. Esta cidade portuária de 1,5 milhão de habitantes é a capital da província de Sulawesi do Sul.

Do lado de fora do templo, as testemunhas relatam pedaços de corpos mutilados pela explosão. Pelas ruas, também muitas pessoas feridas e desorientadas. Os feridos incluem peões que estavam próximos da catedral, bem como fiéis que assistiam à missa de domingo de Ramos, que marca a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, de acordo com a tradição cristã, e representa o início da Semana Santa.

Os responsáveis pelo atentado terão sido dois membros de um grupo extremista vinculado ao Estado Islâmico. Os dois (um homem e uma mulher) entraram com uma motorizada no complexo da da catedral do Sagrado Coração de Jesus, no sul das ilhas Sulawesi onde se fizeram explodir. Faziam parte do Jamaah Ansharut Daulah (JAD), grupo extremista que terá sido responsável pelos atentados ocorridos em março de 2018, em Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia, e que no ano seguinte terá também sido responsável pelo atentado à bomba em Jolo, nas Filipinas. 

Os costumes de tolerância do povo Indonésio tem sido posto à prova, nos últimos anos, devido ao desenvolvimento de correntes islâmicas conservadoras e muitas vezes radicais, pondo em perigo a coexistência religiosa com minorias religiosas cristãs, budistas e hinduístas. Em 2002, mais de 200 pessoas morreram em atentados na ilha de Bali atribuídos ao grupo islamita indonésio Jemaah Islamiyah.

Fontes:

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/03/28/interna_internacional,1251360/vinte-feridos-em-atentado-suicida-em-catedral-da-indonesia-no-domingo-de-ra.shtml

https://www.dn.pt/internacional/papa-lembra-vitimas-do-ataque-a-uma-igreja-na-indonesia-durante-oracao-do-angelus-13509328.html

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2021/03/28/ataque-a-catedral-na-indonesia-foi-atentado-suicida/232331/

 

 

 

Atentados em Espanha - 15 anos depois

Estavamos na manhã de 11 de março de 2004. Três dias depois, realizar-se-iam as eleições gerais espanholas. Tinha passado ainda pouco tempo desde o 11 de setembro e todas as ameaças eram tidas em conta e colocavam-nos em alerta. Em Portugal, ainda havia calma e uma certa tranquilidade, mas o facto de se darem ataques em Espanha e França, mexia bastante com o nosso sossego. Nesse dia, há 15 anos, a paz foi abalada por uma série de explosões em estações de comboio que lançaram o pânico.

Destas explosões resultaram 193 mortos e 2 050 feridos. As explosões ocorreram entre as 7h39m e as 7h42m da manhã nas estações de Atocha (onde deflagraram três bombas), El Pozo de Tío Raimundo (onde rebentaram duas bombas), Santa Eugenia (onde  rebentou uma bomba) e num comboio a caminho de Atocha (onde explodiram 4 engenhos explosivos). As forças de segurança encontraram mais três bombas, que segundo o ministro do Interior Ángel Acebes, estariam preparadas para explodir quando chegassem os primeiros socorros às vítimas.

Segundo as investigações decorrentes, os ataques terão sido cometidos por uma célula terrorista inspirada na Al-Qaeda, apesar de não se ter provado nenhuma participação direta do grupo extremista. Os explosivos terão sido vendidos por mineiros espanhóis, que foram entretando detidos.

Apesar de se ter inicialmente culpado a organização separatista basca Euskadi Ta Askatasuna - ETA, pelos ataques, veio depois a ser feita a ligação com a intervenção espanhola na Guerra do Iraque. Por outro lado, investigações posteriores vieram indicar que os atentados de 11 de março de 2004, foram idealizados em Karachi no final de 2001 como vingança pelo desmantelamento da célula que a Al Qaeda tinha estabelecido sete anos antes na Espanha, um grupo batizado de Abu Dahdah em alusão ao que foi seu líder desde 1995. 

Os atentados foram os piores ataques terroristas da história espanhola e da Europa. Foi o ataque que mais mortes causou no continente europeu desde o Atentado de Lockerbie, no Reino Unido, em 1988. 

Estes atentados têm características em comum com outros atentados da Al Qaeda e nessa mesma tarde do dia 11 de Março foi encontrada, na região de Madrid, uma cassete com orações em árabe numa carrinha com detonadores.

Ao seguir as pistas, a polícia conseguiu encontrar um imóvel no qual ao serem confrontados, sete dos terroristas que lá estavam, se suicidaram, detonando bombas e matando também um dos polícias. Nos destroços foi encontrado um vídeo contendo ameaças de novos ataques, que aconteceriam na Semana Santa.

Só em agosto de 2007, a Al-Qaeda declarou estar orgulhosa dos atentados realizados em Madrid.

O julgamento dos culpados, só se deu depois de 25 meses de investigações. Entre os principais condenados estão Jamal Zougam - que somou 42917 anos de prisão pela participação direta nos atentados - e o ex-mineiro José Emilio Suárez Trashorras, sentenciado a 34715 anos de prisão. Porém, o Código Penal espanhol prevê pena máxima apenas 30 anos. No decurso das investigações, fcou comprovado o envolvimento do GICM (Grupo Islâmico Combatente Marroquino), formado por combatentes veteranos do Afeganistão financiados por Bin Laden. A participação do ETA foi descartada.

Na estação de Atocha foi erguido em 2007, um monumento em homenagem às vítimas do 11 de Março. O edifício de aspecto futurista com onze metros de altura tem uma forma cilíndrica, sendo todo envidraçado o que lhe dá uma aparência translúcida. Segundo os seus autores o objectivo é que o monumento seja um“espaço imaterial de luz e silêncio. No interior do edifício e ao longo das paredes é possível ler as várias mensagens, deixadas há três anos na estação de Atocha, em homenagem às vítimas. Estes pequenos textos estão escritos em várias línguas e vão subindo em círculo ao longo da estrutura de vidro, que alterará as tonalidades de cor, consoante a luz exterior for mudando.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentados_de_11_de_mar%C3%A7o_de_2004_em_Madrid

https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/terror-na-espanha-atentado-de-11-de-marco-completa-cinco-anos.htm

https://expresso.pt/actualidade/monumento-de-homenagem-as-vitimas-do-11m=f108995

 

 

Dia da Mulher

Eu sou mulher e ter um dia que nos é dedicado a nós, faz-me muito orgulhosa. Mas eu nunca fiz nada para merecer este dia. Sou apenas eu, mãe e trabalhadora, que faço o que posso, mas nada de excecional.

Mas na minha vida tive e tenho mulheres excecionais. A minha mãe que já me deixou foi uma delas, uma lutadora até ao fim, sempre de cabeça erguida enfrentava o mundo. A mãe que nos trazia sempre limpas, arranjadas, mas que nos deixava brincar na terra, apanhar caracóis de chinelos e chegar a casa cheias de picos, ou subir às figueiras para roubar figos na Fonte de Carvalho. Que às 07h da manhã nos levava ainda ensonadas para a cozinha da Santa Casa, para ir trabalhar. A mãe que me levava à noite para o carnaval, que me ensinou como "sobreviver" à confusão e a amar aquela festa, desfilando comigo e com a minha irmã nos primeiros anos, na escola de samba "Juventude na Baía". Que me mostrou que podemos mentir mas só no dia das mentiras, que podemos fazer badalos no carnaval e colocar espuma de barbear em todos os carros da rua (incluindo no do meu pai, para os vizinhos não desconfiarem). Ainda me viu entrar para o meu curso, que sempre apoiou, mas que já não me viu completar o 1º ano, nem nunca chegou a andar de carro comigo. Na verdade, a minha primeira viagem a conduzir de carta acabadinha de tirar foi de minha casa para o IPO e nas (poucas) semanas seguintes era assim que treinava a condução, no carro do meu pai ou do meu tio, vingando "sozinha" nas rotundas de Lisboa, na auto estrada - nunca fui medrosa a conduzir.

Dela herdou a minha irmã muitas caraterísticas e por isso a admiro todos os dias mais, por estar sempre, sempre, pronta a ajudar. Mesmo nos piores momentos, levanta-se e parece um furacão enfrentando tudo e todos. Quase telepaticamente, dou-me a pensar em ligar para ela e está o telemóvel a tocar. Independente muito cedo, tal como eu, fez da raiva e da tristeza força, uma força imensa que leva tudo à frente se preciso for. E que me deu as meninas mais lindas do mundo que amo como se fossem minhas tanto como amo o meu filho.

E a minha avó, sem a qual nada disto teria sido possível. Pois foi ela que lutou com unhas e dentes por salvar os filhos e a si mesma, dando-lhes uma vida melhor, que enfrentou todos e depois, nos deu a nós tudo. A minha avó esteve sempre lá, a perda da sua menina fez-la sofrer até hoje e deixou marcas muito profundas, mas é aquela avó a quem recorremos quando precisamos de alguma coisa, que nos dá tanto sem "mostrar" que dá. 

A avó onde ficavamos o verão todo para podermos ir para a praia com os nossos primos e os nossos amigos. Que me deixava ler aqueles livros que estavam nas prateleiras e que ainda não eram para a minha idade. E que ensinou a ler, a escrever, a contar, somar multiplicar, dividir. Que me ia todos os dias levar o lanchinho ao portão da escola, a casa de quem eu ia almoçar e depois lanchar e às vezes onde eu ficava também para jantar ou dormir. 

Estas foram as mulheres que mais me influenciaram no meu crescimento. As que tenho em mente sempre que tenho de fazer uma escolha. As que moldaram a minha personalidade.

RTP 64 anos

Hoje o meu post é dedeicado à história da Rádio e Televisão de Portugal que completa hoje 64 anos, mas o seu início vem de há oito décadas, começando de certa forma com a atividade da Emissora Nacional em 1935.

A Emissora Nacional contava com duas emissões diárias, uma à hora de almoço e outra ao serão.

A 16 de janeiro de 1956, na Presidência do Concelho de Ministros, é celebrado o primeiro contrato de concessão de Serviço Público de Televisão, assinado por Camilo de Mandonça (Presidente da Administração da RTP) e por Marcello Caetano (Ministro da Presidência e Ministro das Comunicações interino). A 4 de setembro de 1956 acontece a primeira emissão experimental na Feira Popular, na altura em Palhavã, Lisboa.

A Radiotelevisão Portuguesa começa a emitir a  7 de Março de 1957,  em abril de 1958, a Televisão cobria 44% do território nacional e chegava a cerca de 58% da população, só atingindo todo o país em meados dos anos 60.

Sabiam que... a RTP1 emite ainda hoje o programa de informação mais antigo de Portugal: o Telejornal. Foi para o ar pela 1ª vez a 19 de outubro de 1959. O primeiro diretor de programas foi Miguel Araújo.

Só a 25 de dezembro de 1968 começaram as emissões dRTP2.

A compra de televisores em Portugal aumentou muito após 1974 tendo em consequência disso, as audiências da RTP também aumentado bastante.

As primeiras emissões a cores, surgiram em 1976 com as eleições legislativas com recurso ao sistema SECAM.

As emissões a cores voltaram em 1979 com a transmissão dos jogos olímpicos mas só se tornaram regulares a partir de 7 de março de 1980.

No ano de 1990, a RTP1 mudou de nome passando a chamar-se "Canal 1", mas em 1996, regressou ao seu antigo nome "RTP1" para reforçar a identidade do serviço público frente às suas concorrentes privadas - SIC e TVI.

 

Parabéns RTP.

Entre os rios, 20 anos depois

Há 20 anos, a 4 de março de 2001, num dia de muita chuva por todo o país, a Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva, não aguentou e arrastou para o rio Douro três carros e um autocarro. Todos as 59 pessoas morreram. As buscas prolongaram-se durante semanas, mas ainda estão 36 corpos por encontrar. 

No plano político, Jorge Coelho, que era então ministro do ambiente, demitiu-se de imediato. Foram promovidos inquéritos pelo Governo e pela Assembleia da República, os quais vieram a atribuír o colapso da ponte a uma "conjugação de fatores", entre os quais a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.

No plano judicial, ninguém foi condenado pela tragédia, o que ainda hoje revolta os familiares das vítimas. O Governo "rapidamente" lançou um programa de obras de emergência em Castelo de Paiva, na altura contabilizado em 80 milhões de euros, incluindo a construção de duas novas pontes. Ainda há muito a fazer, volvidos 20 anos, em especial nas infraestruturas de apoio e acessos.

Em 2003, foi inaugurado um monumento em memória das vítimas mortais, em Castelo de Paiva, da autoria do arquiteto Henrique Coelho, designado "Anjo de Portugal", que tem na sua base inscritos os nomes das 59 pessoas que morreram no colapso da ponte.

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