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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

10
Fev21

Abraços virtuais

Sou mãe e educadora, adoro escrever, gosto muito de ler. Na minha vida passei por muitas coisas, conheci muitas pessoas que me enriqueceram e passei por várias situações que quis esquecer.

Neste momento, trabalho com crianças do 1º ciclo. Um desafio diário, que abracei há pouco mais de um ano e que me traz, todos os dias, uma enorme satisfação. Mas o desafio agora, é conseguir chegar-lhes todos os dias, recebê-los nos meus braços, acarinhá-los. E isso não é possível. Já no Centro, com as máscaras e o distanciamento tinham acabado os abraços e os beijos. Não podíamos. Era triste, mas havia sempre um bocadinho para conversar, para saber como tinha corrido o dia, para os escutar. Eu estou aqui, na mesma com toda a disponibilidade, e por isso às vezes é tão difícil terminarmos os trabalhos de casa! Não dá tempo, porque queremos conversar, trocar experiências, falar do que sonhamos e nos assustou. As minhas crianças (que são um pouquinho minhas, me desculpem os pais) estão a passar por situações difíceis. Estão fechadas em casa, sem os amigos. Começar um 1º ano traz marcas - que normalmente serão boas lembranças, os primeiros amigos, os primeiros professores, o dente que caiu, a bola que foi para o telhado... mas este ano? Este 1º ano, que memórias irá deixar nestes meninos? Quero tanto fazer a diferença, quero tanto dar-lhes boas memórias!

Ser professora, ser educadora, é isto, é proporcionar experiências, aprendizagens. E abraçá-los.

E no meio disto tudo, junto o ser mãe, o estar do outro lado, o "ouvir" as aulas do meu filho, os colegas que estão com ele desde a pré e que no 5º ano continuam juntos. E, confesso, quando os oiço, choro tantas vezes. Não consigo explicar porquê, mas tenho pena destes meninos, tenho pena do meu filho não estar a viver a sua passagem da infância para a adolescência com a devida liberdade.