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Caderno Diário

Caderno Diário

28
Fev19

"Encontro em Jerusalém"

Elsa Filipe

Um livro do escritor e jornalista Tiago Rebelo, onde o romance surge num cenário de guerra.

Francisca é fotógrafa, em casamentos e outros eventos, mas decide arriscar tudo e embarca numa viagem a um teatro de guerra, sem saber no que se está a meter e cheia de convicções de que é capaz de ir tão longe quanto a sorte lhe ditar. Um jornalista que faz do perigo a sua vida e que corre atrás da notícia, onde quer que ela o leve.

Os dois testemunham a violência e a tensão crescente entre israelitas e palestinianos, mas a sua persistência procura pela fotografia perfeita que retrate a verdade, levaõs a serem expulsos do país quando uma fotografia faz capa em Portugal. 

Entretanto, já estavam paixonados. Não conseguindo ficar quietos continuam atrás de cenários de guerra, atravessando países em guerra, mesmo quando a sua vida é posta, diariamente, em risco.

Viajam juntos para Sarajevo, onde fogem aos disparos dos franco-atiradores, testemunhando o horror de uma guerra que não poupa ninguém, nem mulheres e crianças. 

O regresso a Jerusalém acontece mais tarde e uma pequena paragem numa praça, onde Afonso vai comprar cigarros, torna-se no pior dia das suas vidas.

“Encontro em Jerusalém” lê-se em pouco tempo, tem uma escrita fluida e o tema agradou-me. É um livro que trata da nossa história atual, dos conflitos que segui pela televisão e jornais, sem na altura estar a pensar nas pessoas que estavam por detrás dessas máquinas e que nos tentavam fazer chegar a verdade, com o risco das suas próprias vidas.

No fim, a mistura de outros casos também mediáticos não relacionados com a guerra, veio trazer alguma confusão no enredo mas no fundo é um romance onde quase podemos ver cada página como a história das fotografias destes repórteres.

27
Fev19

"A prisão do silêncio"

Elsa Filipe

É maravilhosa a forma como consegue descrever temas tão fortes e ao mesmo tempo prender-nos a um livro que nos descreve histórias reais! Apenas mudam os nomes dos personagens por questões deontológicas.
 
Nos livros anteriores, ela era professora de alunos com deficiências quer mentais que físicas. Tinha uma turma com quem interagia diariamente, tentando criar laços que seriam fundamentais no decurso da evolução da criança. Neste livro, ela está numa clínica e é em contexto de consulta que cria a relação com as crianças. Desta vez, é com um jovem adolescente que Torey tem de trabalhar. Kevin é um jovem de 15 anos, que se "enjaula" a si mesmo entre as pernas da mesa e das cadeiras, escondendo-se assim dos seus próprios medos.

Ao contrário dos vários profissionais pelos quais as crianças passavam, Torey desenvolvia uma relação de amizade com elas e o mesmo tenta fazer com este jovem, trabalhando em cada consulta para que ele confie suficientemente nela.

Ao longo dos anos institucionalizado, o seu passado foi-se perdendo nos processos burocráticos e essa ausência de informação enfurece Torey, uma vez que vai dificultar o seu próprio trabalho. Ao inicio, as suas sessões com Torey são frustrantes, até que ela começa a adoptar métodos quase ridículos para médicos especializados. Ela lia-lhe livros, cantava canções com ele, anedotas… Coisas normais… Que o fizeram falar com ela, mas para sua frustração, apenas com ela. Fora da sala de onde se realizam as sessões, ele volta a ser o mesmo miúdo, fechado em si mesmo.

Depois de algumas sessões, Kevin, começa a demonstrar várias facetas, algumas delas bastante violentas chegando mesmo a agredir Torey, e outras mais artísticas. Interessa-se por desenhar: e é para o papel que transmite as suas emoções mais profundas, o ódio pelo padrasto, desenhando com uma minuciosidade incrível. Mas, a parte assustadora, é que os seus desenhos mostram actos violentos demasiadamente detalhados. Qual o segredo que Kevin esconde?

Aos poucos, o jovem começa a falar de certas atitudes violentas por parte do padrasto. Fala-lhe da sua irmã mais nova, das suas aventuras com ela (cuja existência Torey chega a duvidar), e da sua morte, provocada pelo padrasto.

Paralelamente ao seu trabalho na clínica, Torey inscreve-se num programa de “Irmãs mais velhas”, ou seja, ser a irmã mais velha em “faz de conta” de crianças que precisam de ajuda, para a sua integração e na criação de valores. Torey fica então "irmã mais velha" de uma miúda de nariz empinado, que mente e inventa histórias para se tentar integrar e valorizar-se a si mesma: uma forma criativa de defesa criada pela menina.


A miúda começa a estar constantemente na sua casa, começa a fazer parte da sua vida. E ela, como “coração mole” que é, não consegue dizer que não. Vai ser interessante ver a evolução da sua relação com esta menina.

O que marca mais:

"Nenhum Deus faria um mundo onde houvesse tantas pessoas que não têm um único ser que as ame. Se o mundo tivesse sido feito segundo um plano, haveria pessoas suficientes para toda a gente ser amada."


"Mal do coração. É como um cancro invisivel. Está no nosso coração. Pode-se senti-lo. Come-nos por dentro. É o que se tem quando não se faz seja o que for para além de nascer. O coração nunca é utilizado. E por isso apanha-se o mal do coração e o coração degrada-se. Muitas vezes, antes de o resto do corpo se degradar. Só que isso não tem importância porque, uma vez morto o coração, também estamos mortos."
Um livro forte, com cenas simplesmente horriveis de violência.


Esta é a sinopse deste livro:
Quando a técnica de educação especial Torey Hayden aceitou ocupar-se do jovem Kevin de 15 anos, encontrou um miúdo a quem o mundo exterior causava pânico e que vivia fechado num mutismo voluntário No entanto aquela era apenas a parte visível de um abismo de sofrimento.

Em todas as instituições por onde passara, consideravam-no um caso perdido e a própria Hayden sentiu-o como um vencido e compreendeu que só por milagre conseguiria ultrapassar os muros que ele construíra à sua volta. Mas Hayden tem um coração maior que o mundo e sentia-se incapaz de desistir dele. Pouco a pouco foi descobrindo uma história chocante de violência e abandono e um terrível segredo que um indiferente processo burocrático tinha simplesmente esquecido.

26
Fev19

"A casa do destino"

Elsa Filipe

Se eu pudesse escolher a história de amor mais bela que li até hoje, seria esta. A história de Rocío, enamorada pelo homem da sua imaginação. 

"A casa do destino" é um romance de Susana Prieto e Lea Veléz, que nos arrebata pela sua emocionante história de amor que parece impossível, mas que se vai desvendando real a cada página. Uma história feita de lendas, mistérios e segredos encerrados pelo tempo.

"A Morte, o Destino e o Amor não conseguiam chegar a acordo. Cada um julgava ter mais poder sobre os mortais do que os outros dois. O Destino asseverava que era capaz de qualquer coisa, unir reinos, destruir culturas, provocar guerras e que a Morte e o Amor eram só consequência dos seus atos. O Amor asseverava que era ele quem realmente comandava todas as coisas. (...) A tudo isto a Morte replicou que punha fim a esse amor com o peso da lousa, algo com o que o Destino também não concordava (...).

Pensaram toda a noite e, quando se reuniram de novo, a Morte disse:
- O marquês de Villanueva tem dois filhos. O primogénito estava destinado a casar-se com a filha do conde de San Adrián, agora noviça no convento de Villanueva. Não é assim?
- Assim é - responderam o Amor e o Destino.
Pois bem - prosseguiu a Morte -, acabei com o filho do marquês. Neste momento, já não respira e nunca conhecerá a sua noiva, pelo que vos enganei a ambos.

O Amor soltou uma gargalhada.

Pode ser que tenha morrido... mas o amor é mais forte do que a barreira que acabas de colocar entre eles. A jovem noviça amava-o (...)a jovem está prestes a morrer de desgosto ao receber a notícia da morte do seu amado.

Nem tu Morte nem tu Amor, estais acima de mim. (...) mas nunca, ouvis bem, nunca poderão habitar no mesmo mundo mortal ou imortal. Viverão em tempos diferentes (...) e aquilo que poderão partilhar serão os objetos que ficaram para trás, a memória de um amor impossível, vagas recordações do passado. Serão eternamente jovens mas nunca se encontrarão."

E esta foi a aposta de três dos quatro poderes, e dali a quinhentos anos se veria quem tinha razão. Estava-se no ano de 1459.

25
Fev19

"Sôbolos rios que vão"

Elsa Filipe

Quando começamos a ler um livro de António Lobo Antunes, temos de nos preparar para uma escrita um pouco dissossiada da realidade, com diversas alegorias. Perceber tudo como se houvesse um fio que nos orienta neste labirinto, não é fácil, temos de levar a leitura de espírito aberto.
E por isso, este não é um livro fácil.

É precisa uma boa dose de paciência. Eu, pessoalmente, tive de me deixar levar porque não encontrei um fio condutor na história. Quando parava de ler, parecia que simplesmente não conseguiria contar aquilo que tinha lido. Confesso que não terminei o livro e que saltei muitas páginas. Isso é raro acontecer comigo.

Terei de o tentar ler noutra altura. 

21
Fev19

"Ontem não te vi em Babilónia"

Elsa Filipe

Este foi um livro difícil, que me deu muita luta para conseguir chegar ao fim. Não é fácil parar uma página e seguir a leitura depois, porque com a mistura de pensamentos que ali desfilam, quando paramos, perdemos o fio à meada.

E tentar desenredar essa meada, então ainda é mais complicado. Percebemos algumas das memórias (o suicídio na árvore, a caravana dos ciganos, a tortura às mãos da PIDE...) os lugares onde algumas ações se passaram. 

Do autor António Lobo Antunes, nascido em Lisboa, a 1 de Setembro de 1942, no seio de uma família da alta burguesia, filho de João Alfredo Lobo Antunes, um destacado neurologista português.

Lobo Antunes especializou-se em psiquiatria, tendo exercido a especialidade durante alguns anos no Hospital Miguel Bombarda até a abandonar por completo em favor da literatura.

O seu primeiro livro a ser publicado foi Memória de Elefante, em 1979 pela Vega, que se tornou num enorme sucesso literário. Desde então, publicou 29 romances e cinco volumes que reúnem as suas crónicas publicadas semanalmente na revista Visão.

02
Fev19

"O profeta do castigo divino"

Elsa Filipe

Os meus livros preferidos são sem dúvidas romances históricos. Este li em 2013, um ano de grandes escolhas literárias que partilho convosco.

Este livro fala-nos da história de Gabriel Malagrida e de Portugal nos anos que antecederam o terramoto de Lisboa de 1755. Falam-nos da Igreja Católica no século XVIII e da obscuridade em que se vivia. É um livro que trata da história de Portugal vista de uma outra perspetiva.

Gabriel Malagrida é um jesuíta, natural de Itália. Obsessivo por natureza, teima em evangelizar os que no "novo mundo descoberto viviam em supostas trevas". Depois de muito se instruir, embarca para o Brasil e para o Maranhão. Em Belém do Pará, encontra uma terra nada dada a atos religiosos. Lá encontra a sua vocação: evangelizar e colonizar os índios, - com atos nem sempre "memoráveis"-, para depois ao voltar a Portugal, Lisboa o receber como autor de vários milagres (uns façanhas e embustes, outros apenas coincidências, que num século de tão parca instrução eram atribuídas a atos divinos).

O padre Malagrida é de certa forma descrito por Pedro Almeida Vieira como um misto de iluminado, de escolhido de Deus, militante eclesiástico, visionário, profeta do mal, socialmente excêntrico face aos próprios companheiros jesuítas, missionário obstinado, tão fanaticamente crente na missão divina da sua vida que não hesita em usar estratagemas ardilosos (como o das bolas de cera no mar) para exaltação de uma maior santidade pessoal e divina. Acresce um lado milagreiro, que espanta o próprio Diabo.

Malagrida veio a ser condenado como herege no âmbito do Processo dos Távora.
Ver também:

http://olharoslivros.blogspot.pt/2009/02/o-profecta-do-castigo-divino-pedro.html">

O livro foi para mim interessante pela sua contextualização histórica mas a história é um pouco maçuda e muito descritiva pelo que clasifico com nota 2. Foi difícil chegar ao fim, pela densidade da história e da narrativa, embora o tema fosse até interessante e o livro esteja muito bem escrito e com uma grande pesquisa histórica.

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