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Caderno Diário

Gosto de escrever e aqui partilho um pouco de mim... mas não só. Gosto de factos históricos, políticos e de escrever sobre a sociedade em geral. O mundo tem de ser visto com olhar crítico e sem tabús!

Caderno Diário

Jornalistas e crianças, assassinados em ataques suicidas no Afeganistão

Os jornalistas, operadores de câmara e fotógrafos são aqueles que avançam para as zonas de conflito, enquanto outros tentam fugir. Tentam ser dos primeiros a chegar e por isso, colocam diariamente as suas vidas em risco. Tudo isto para que nas redações dos seus jornais não faltem as notícias.

Estão lá em direto, com risco da sua própria vida e com a esperança de que um colete com a palavra PRESS estampada os distinga e os salve das balas e dos fragmentos das explosões.  Esperam que aqueles homens e mulheres respeitem o seu direito a trabalhar - ali, entre fações contrárias, naquele local, naquele momento.

Durante o tempo que estão a desempenhar as suas tarefas são também eles alvos fáceis, às vezes demasiado fáceis e esquecemo-nos que sem o seu trabalho, não saberíamos o que se está a passar nestes países. São eles também heróis.

Hoje vários destes heróis foram mortos quando uma explosão sincronizada das bombas de dois terroristas suicidas fez, pelo que se sabe até agora, 25 mortos – nove deles jornalistas, segundo o Comitê de Segurança dos Jornalistas Afegãos (AJSC), citado pela agência EFE – e quase 40 feridos no centro de Cabul. 

Estes jornalistas estavam no local a cobrir uma primeira explosão que tinha acontecido pouco tempo antes nas proximidades do escritório do Serviço de Inteligência (NDS), muito perto de uma escola de inglês no bairro de Shash Darak. Dessa explosão resultaram quatro mortos e cinco feridos, todos civis. O bairro de Shash Darak abriga a sede da NATO e os escritórios de várias ONGs internacionais. O chefe da polícia de Cabul, Dawood Amin, disse numa mensagem pública que a segunda explosão aconteceu perto do local onde um grupo de jornalistas se tinha reunido enquanto esperavam atrás de um cordão de segurança a centenas de metros de distância do local do primeiro ataque.

Cerca de meia hora após o atentado original, um homem-bomba que portava uma câmera e fingia ser jornalista, levando uma câmara ao ombro, fez-se explodir.

Segundo um comunicado do Estado Islâmico, os "apóstatas das forças de segurança, dos meios de comunicação e outras pessoas foram para o local da operação, onde um segundo irmão camicase os surpreendeu com seu colete explosivo”. 

O primeiro-ministro afegão, Abdullah Abdullah referiu que estava "muito triste com o ataque terrorista de segunda-feira contra civis e jornalistas em Cabul. Um ataque aos meios de comunicação é um ataque à democracia e uma tentativa de silenciar a voz daqueles que não tem voz”.

Dos que tentavam dar voz ao povo e foram assassinados, conta-se Shah Marai, fotógrafo da agência France Presse (AFP) que deixa mulher e seis filhos - o mais novo com apenas semanas de vidaKhair Muhammad, da rede afegã Tolo News, e Ebadullah Hananzai, da emissora Azadi Radio. O fotógrafo Shah Marai, da A. France Press, o cinegrafista Nawroz Rajabi e o repórter Ghazi Rasouli da ITV, foram mortos no ataque. Um jornalista da Jahan TV, que ainda não foi identificado, também morreu.

Ainda hoje, um outro ataque levou à morte de mais inocentes: 11 crianças perderam a vida e outras 17 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco soldados romenos da NATO. Tudo se deveu a um ataque suicída, contra um comboio das forças aliadas na província de Kandahar, no sul do Afeganistão. O suicida detonou um carro-bomba contra o comboio da NATO quando este passava perto de uma mesquita, causando uma forte explosão que derrubou um muro fino que cercava o pátio do centro religioso, no bairro de Daman. As crianças, que estavam no pátio da mesquita, perderam a vida quando foram atingidas por estilhaços e esmagadas por pedaços do muro destruído pela explosão.

Num outro ataque assumido pelo grupo jihadista, há uma semana, um ataque suicida contra um centro de registro eleitoral no oeste de Cabul, fez 69 mortos e 120 feridos. Um dos piores ataques deste ano, ocorreu no fim de janeiro pelos talibãs com uma ambulância-bomba que explodiu em plena rua em um bairro central de Cabul, matando mais de cem pessoas. Em qualquer dos casos, houve um aproveitamento da confiança das pessoas para provocarem ainda mais mortes.

Fontes:

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/30/internacional/1525065943_395987.html

https://oestecapital.clicrdc.com.br/Blog/Geral/Duplo_ataque_a_bomba_mata_25_no_Afeganist%C3%A3o;_6_s%C3%A3o_jornalistas

https://www.bemparana.com.br/exterior/serie-de-ataques-no-afeganistao-mata-11-criancas-e-9-jornalistas-que-noticiavam-atentado/

 

 

 

Do 1º Encontro da Canção Portuguesa às músicas de abril

Quando se fala na revolução de abril, lembram-se os cravos distribuídos, os tanques que percorreram Lisboa, fala-se dos abraços entre militares e populares, fala-se de um dia belo. Esquecem-se - apenas por alguns momentos - as dores de tantos anos de ditadura, as marcas na carne dos que sofreram às mãos da PIDE... e quase que se conseguem esquecer as colónias e os que lá morreram antes e depois da revolução... e os portugueses que lá lutaram e foram mortos, estropiados no corpo e no pensamento.

Quando se lembra abril lembram-se as canções. Os compositores, músicos e cantores que, de uma forma  diferente, emprestaram as suas letras à revolução e que assim também lutaram ao lado dos militares revoltosos que conseguiram derrubar o Regime. Lembram-se os radialistas que transmitiram as senhas, os jornalistas, que a medo mas com uma grande vontade, deram a sua voz à leitura dos comunicados do MFA. 

As canções de abril não foram escritas para a Revolução. Foram feitas, anos antes, mas são ainda hoje um grito! Conseguiram ser em alguns casos uma forma de ludibriar o famigerado "lápis azul" da censura e trouxeram mensagens de revolta e de esperança.

Em Portugal, desde o final dos anos 60, houve um movimento de artistas populares e empenhados, quase todos de esquerda, que quiseram contribuir para o desenvolvimento de uma consciência política através da canção.

Na noite de 24 para 25 de abril de 1974, soou às 22h55m "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, transmitida pelo radialista João Paulo Diniz da Emissora Nacional. A canção não tinha uma letra perigosa, e ganhara o Festival RTP da Canção de 1974, sendo apresentada no Festival Eurovisão da Canção de 1974. De lembrar, que o Festival da Canção teve o seu início em 1958 (na altura conhecido por "Festival da Canção Portuguesa" e promovido pelo Centro de Preparação de Artistas de Rádio) e em 1964 daria lugar ao "Festival RTP da Canção" (Maria Helena Fialho Gouveia e Henrique Mendes foram os apresentadores desse festival, que foi ganho por António Calvário com a canção "Oração").

Cerca de 30 minutos depois, dá-se vez na Rádio Renascença, emissora católica portuguesa, à transmição da canção de José Afonso, "Grândola, Vila Morena", que foi a segunda senha para o avanço das tropas sobre os seus objetivos. Numa primeira instância, foi escolhida a canção "Venham mais cinco" de José Afonso, no entanto, quando já se acabara o período de preparação, descobriu-se que a canção estava incluída na lista de músicas banidas da Rádio Renascença, emissora católica, e estava barrada de passar no programa Limite da estação de rádio, como estava a ser planeado.

Sobre "Grândola, Vila Morena", José Afonso (carinhosamente, Zeca) escreveu este poema em 1964 aquando de uma visita a Grândola, em homenagem à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. A letra, só se tornou canção em 1971, quando foi gravada em França, à revelia, tornando-se em 1974, o hino da Revolução. O álbum, "Cantigas do Maio", onde consta esta letra, contou com os arranjos e a direção musical de José Mário Branco,  

Zeca Afonso, passou vários anos nas prisões políticas do Estado Novo, e, após o fim da sua sentença, escreveu, cantou, e deu concertos, assim como fez discos que eram clandestinos ou intensamente censurados. O seu nome era proibido nos jornais, pelo que, para evadir a censura, o seu nome era escrito ao contrário, "Esoj Osnofa" - o que me leva a crer que os próprios censuradores não eram assim tão inteligentes.

Um mês antes do 25 de Abril de 1974, realizou-se no Coliseu dos Recreios, a 29 de março de 1974, o I Encontro da Canção Portuguesa, de protesto e de denúncia da ditadura do Estado Novo. Foi muito difícil de realizar, devido à censura que proibiu a maioria das canções, mas apesar de tudo, o Coliseu ficou sem nenhum lugar livre e na rua juntou-se uma multidão. 30 canções e poemas foram proibidos, mas não conseguiram proibir o encontro devido ao grande número de populares ali concentrados. Se calhar, ali foi o sinal de que a população só estava à espera do momento certo, do sinal certo, para sair à rua. A Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), prontas para dispersar a multidão pela força, acabaram por não receber essa ordem e decidiram ser melhor deixar o espetáculo avançar.

Os artistas decidiram atuar por respeito pelo público, apesar das péssimas condições de som. Após a primeira apresentação, que não conseguiu compensar a fervura do público, as pessoas ali presentes começaram num coro disperso a canção "Canta, canta amigo," de António Macedo, que era conhecida nos meios de oposição, e que teve de ser terminado bruscamente pelos músicos. Depois da atuação de Carlos Alberto Moniz e de Maria do Amparo e da atuação de Carlos Paredes, com a sua guitarra, o público acalmou.

Atuaram nomes grandes como José Carlos Ary dos Santos, que rendeu o público, com a sua poderosa arte declamatória, Fernando Tordo, Tonicha, Manuel Freire, José Barata Moura,  Intróito, Adriano Correia de Oliveira e, claro,  José Afonso. As duas horas e meia do memorável espetáculo foram gravadas pela equipa do programa "Limite" da Rádio Renascença 

Na plateia do I Encontro da Canção Portuguesa, estariam presentes vários dos capitães que tiveram um papel no 25 de Abril, que já estava numa avançada fase preparatória. Nessa altura, já se tinha determinado que o sinal para começar as operações seriam duas canções emitidas através da rádio. A Rádio Renascença foi escolhida pois os meios de comunicação dos militares não tinham cobertura pelo país inteiro, pelo menos não de forma fiável e audível.

A 30 de abril de de 1974, José Afonso foi até ao aeroporto de Lisboa receber companheiros anteriormente exilados, principalmente José Mário Branco e Luís Cília, que produziam desde 1960 os discos dos que em Portugal não o conseguiam fazer. 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A2ndola,_Vila_Morena

https://www.youtube.com/watch?v=XBq3JV1U4UQ

https://www.rtp.pt/programa/radio/p1994/e20140424

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_da_Can%C3%A7%C3%A3o_Portuguesa_1958

https://youtu.be/avK0zW4LRwg

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o_1964

https://youtu.be/iLiCZCYon68

https://youtu.be/cWopJ3ptGyE

 

 

Salazar, o Estado Novo e a Neutralidade de Portugal na Segunda Guerra

Se nas escolas falamos do 25 de abril, a verdade é que a história não são só "cravos" e cantigas! O período que antecedeu a revolução foi muito marcante e ainda estão vivas muitas das pessoas que lutaram para que nós hoje pudéssemos ter liberdade. "O regime salazarista ficou marcado por ser antidemocrático, antiliberal, corporativista, colonialista e conservador." 

De forma a contextualizar, é preciso recuarmos ao início do século XX. A 1ª República, implantada em 1910 após uma revolta que derrubou a Monarquia Constitucional Portuguesa não trouxe a desejada paz social para o país. Os problemas internos de Portugal foram agravados pelo envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial. Na década de 1920, o discurso conservador e autoritário começou a ganhar força. A 28 de maio de 1926, um golpe militar derrubou o regime liberal-republicano. Chegava ao fim a 1ª República.

Nos dois meses que se seguiram, Portugal teve três chefes do Estado, embora nenhum tenha sido formalmente eleito: José Mendes Cabeçadas Júnior, Manuel Gomes da Costa e Óscar Carmona. Cada um representava uma fação diferente do golpe militar, não existindo projeto político nem consenso entre eles. A unanimidade restringira-se ao golpe e à vontade em mudar o rumo do regime republicano, mas quanto ao que viria a seguir, a divergência era a nota dominante.

Neste período de transição entre dois regimes (que correspondeu à Ditadura Militar, de 1926 e 1933), Óscar Carmona acabaria por assumir a liderança: com poderes efetivos de Chefe do Estado, desde julho de 1926, na sequência da deposição de Gomes da Costa, e por decreto desde 26 de novembro, tendo sido formalmente eleito em 25 de março de 1928, por sufrágio direto (restrito aos cidadãos do sexo masculino, maiores de 21 anos).

A Constituição de 1933, embora formalmente estabelecesse um compromisso entre um estado democrático e um estado autoritário, permitiu que a praxis política conduzisse à rápida prevalência deste último. Os direitos e garantias individuais dos cidadãos previstos na Constituição, designadamente a liberdade de expressão, reunião e associação, serão regulados por "leis especiais". 

A primeira Assembleia Nacional foi eleita em 1934 por sufrágio direto dos cidadãos maiores de 21 anos ou emancipados. Os analfabetos só podiam votar se pagassem impostos não inferiores a 100$00 e as mulheres eram admitidas a votar se possuidoras de curso especial, secundário ou superior. O direito de voto às mulheres já fora expressamente reconhecido pelo decreto 19 694 de 1931, embora com condições mais restritas que as previstas para os homens.

A capacidade eleitoral passiva determinava que podiam ser eleitos os eleitores que soubessem ler e escrever e que não estivessem sujeitos às inelegibilidade previstas na lei, onde se excluíam os "presos por delitos políticos" e "os que professem ideias contrárias à existência de Portugal como Estado independente, à disciplina social..." 

Dado o apoio inicial que o Estado Novo recebeu por parte de alguns monárquicos e integralistas, a questão do regime manteve-se em aberto até 1950-1951. Reeleito sucessivamente, Óscar Carmona permaneceu na chefia do Estado até à sua morte, em 1951. O seu apoio foi essencial na ascensão política de António de Oliveira Salazar, contribuindo para a construção dos equilíbrios necessários para a perpetuação do regime, com consequente esvaziamento dos poderes do Presidente da República.

Apesar da oposição das Forças Armadas e do Ministro da Defesa Santos Costa a uma mudança de regime, com a morte do Presidente Óscar Carmona em 1951, a restauração da Monarquia chegou a ser proposta por Mário de Figueiredo e Cancela de Abreu, verificando-se então uma decisiva oposição à mudança por parte de SalazarMarcello Caetano e Albino dos Reis.

Para suceder a Carmona, Salazar escolheu Francisco Craveiro Lopes, que acabaria por não ser reconduzido, na sequência dos contatos que manteve com os setores reformistas do regime. Foi o único Presidente do Estado Novo a cumprir apenas um mandato.

Nas eleições presidenciais de 1958, Américo Tomás acabaria por ser oficialmente eleito, apesar do terramoto político e social provocado pela candidatura de Humberto Delgado. Como consequência, em 1959 a Constituição foi alterada, modificando-se a forma de eleição do Presidente da República, que deixaria de ser por sufrágio direto para passar a ser feita por um colégio eleitoral restrito, formado pelos membros da Assembleia Nacional e da Câmara Corporativa e por representantes municipais. A partir desse momento, até ao fim do Estado Novo, as oposições ao regime deixariam de marcar presença nas campanhas eleitorais para a Presidência da República.

Salazar assumiu o cargo de Ministro das Finanças em 1928 e tornou-se, nessa função, uma figura preponderante no governo da Ditadura Militar. A Ditadura Nacional (1926-1933) e o Estado Novo de Salazar e Marcello Caetano (1933-1974) foram, conjuntamente, o mais longo regime autoritário na Europa Ocidental durante o séc. XX, estendendo-se por um período de 48 anos. O principal objetivo de Salazar era restabelecer a ordem e a estabilidade nacional. Ele defendia que  iria continuar a Revolução Nacional enquanto houvesse no país uma única pessoa sem condições de vida aceitáveis. Com esta afirmação, ele revelou que não iria abandonar o poder.

O regime político-constitucional que vigorou durante o Estado Novo é considerado antiparlamentar e antipartidário, uma vez que o único partido político aceite pela força política, que na altura era responsável pela apresentação de candidaturas aos órgãos eletivos de poder, foi a União Nacional, sendo que os restantes foram ilegalizados, o mesmo aconteceu mais tarde com as associações políticas. Era permitida, em alguns atos eleitorais, a apresentação de listas não afetas à União Nacional, mas a sua existência era apenas consentida momentaneamente e era impossível a eleição de qualquer candidato dessas listas, pois a fraude eleitoral ou a repressão provocada pela polícia política (PIDE) provocava a desistência dos candidatos afetos a essas listas - ora porque se encontravam presos ora porque desistiam por falta de condições e medo.

A PIDE era uma polícia política repressiva, "omnipresente" e detentora de grande poder, que reprime qualquer oposição política ao regime, de acordo com critérios de seletividade pontual, nunca se responsabilizando por crimes de massas, ao contrário das suas congéneres italiana e alemã. A PIDE semeava o terror, o medo e o silêncio nos setores oposicionistas que fossem ativos na sociedade portuguesa, protegendo o regime de qualquer oposição organizada ou não e com visibilidade pública. Os opositores políticos mais ativistas eram interrogados e, aqueles que apoiavam ou pertenciam a organizações que defendiam a luta armada contra o Regime ou que tinham ligações às potências inimigas de Portugal eram muitas vezes torturados e detidos (Prisão de Peniche e Prisão de Caxias) e campos de concentração (Tarrafal, em Cabo Verde).

O regime apoia-se na propaganda política (fundando o Secretariado de Propaganda Nacional - SPN) para difundir "os bons costumes", a doutrina e a ideologia defendida pelo Estado Novo. Apoia-se nas organizações juvenis (Mocidade Portuguesa) para ensinar aos jovens a ideologia defendida pelo regime e ensiná-los a obedecer e a respeitar o líder. 

Além da PIDE, o regime apoia-se também nas organizações paramilitares (Legião Portuguesa) para proteger o regime das ideologias oposicionistas, principalmente o comunismo.

Uma forte tutela sobre o movimento sindical, proibindo todos os sindicatos, excetuando aqueles controlados pelo Estado (os Sindicatos Nacionais), e procurando organizar os operários e os patrões de cada profissão em corporações, organizações controladas pelo Estado que pretendiam conciliar harmoniosamente os interesses do operariado e do patronato, prevenindo assim a luta de classes e a agitação social e protegendo os interesses/unidade da Nação (objetivo principal do regime).

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estado Novo conseguiu manter Portugal neutro deste conflito militar sangrento. Embora Salazar reconhecesse a sua admiração pelo Duce Italiano Benito Mussolini, "como católico, esclareceu que o Estado Novo obedecia a limitações de ordem moral que tornavam as leis portuguesas menos severas, os costumes menos policiados e o estado menos absoluto". Segundo Oliveira Salazar, não se revia na violência fascista que considerava não se adaptar "à brandura de costumes portugueses". Era também averso ao regime Nazi e aos ideais de Hitler, considerando que "uma vitória alemã seria um desastre para o estado de direito e para países periféricos, agrícolas, como Portugal." Aliás, em 1938, Salazar acaba por sair "em defesa dos judeus portugueses, dando instruções à embaixada na Alemanha, para que os interesses dos judeus portugueses sejam defendidos com diplomacia mas com muita firmeza." Apesar de, por receio de ações repressivas por parte da Alemanha, Salazar ter limitado o tempo de permanência dos judeus em território português, acabou por permitir "que muitas organizações Sionistas de apoio a estes judeus se estabelecessem e operassem" a partir de Portugal, sendo impossível "calcular com exactidão o número de refugiados que puderam beneficiar da neutralidade" de Portugal. 

Mas esta política de neutralidade estava também relacionada com o receio de perder as suas colónias. A estratégia era proteger os "territórios ultramarinos que Portugal não podia defender de ataques militares" caso tivesse entrado em conflito com a Grã-Bretanha. Por outro lado, se tivesse entrado na guerra como apoiante dos ingleses, seria colocada "em risco a segurança de Portugal no continente." Assim, a "1de Setembro de 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, o Governo Português anunciou que a Aliança Anglo-Portuguesa de 600 anos permaneceu intacta, mas que desde que os britânicos não procuraram ajuda portuguesa, Portugal ficou livre para permanecer neutro no país."  No mesmo ano, em março, tinha sido estabelecido o Pacto Ibérico, ou seja, o "Tratado Luso-Espanhol de Amizade e Não Agressão". Isto impediu que a Espanha invadisse e ocupasse o nosso país.

Portugal acaba por participar em combates apenas em 1941, quando Timor-leste é invadido pelo Japão. "Apesar de nunca se estabelecer formalmente o estado de guerra entre Portugal e o Japão, militares e voluntários civis portugueses combatem ao lado das tropas australianas e holandesas contra os invasores japoneses. Na Austrália, é inclusive formada a primeira unidade militar paraquedista portuguesa, que é lançada na retaguarda das linhas japonesas, para realizar operações de guerrilha contra os invasores." No mesmo ano, com receio de uma invasão alemã, Salazar começa a reforçar os Açores, tendo em conta a manutenção da "soberania portuguesa" caso o país fosse atacado.

No entanto, em 1943, "a Inglaterra invoca a Aliança Luso-Britânica e Salazar concede o estabelecimento de bases militares Britânicas (mas não Americanas) nos Açores", o que leva os americanos a reinvindicar o acesso às bases localizadas no Atlântico. As negociações que se seguiram acabam por dar aos "Estados Unidos a utilização sem restrições da base aérea de Santa Maria", tendo Salazar conseguido "por parte dos Estados Unidos o compromisso formal de respeitarem a soberania portuguesa em todas as colónias portuguesas".

Devido ao desequilíbrio dos sistemas de produção da maioria dos países europeus, Portugal ficou privado de importações e isto causou o aumento da produção nacional, incentivado pelo regime. Durante boa parte do conflito, a balança comercial portuguesa manteve o seu saldo positivo, com as exportações a ultrapassarem as importações, facto que não se verificava desde há dezenas de anos, e que até à atualidade ainda não voltou a verificar-se. Portugal exportava predominantemente produtos têxteis, metais e volfrâmio para os países europeus em guerra. Com o objetivo de "manter a neutralidade portuguesa", Salazar viu-se obrigado, ao longo de todo o conflito, "a envolver-se em aturadas negociações políticas, militares e económicas."

Tal como refere Luisa Meireles, no Expresso, "Salazar ocupava-se de tudo e embrenhava-se com o mesmo zelo nas minudências do governo e da administração e nos altos dossiês do Estado, com um aparente prodigioso ritmo de trabalho."  

Na década de 1950, começou a abrir a economia ao estrangeiro e permitiu a entrada regulada de capitais estrangeiros, desenvolvendo muito a economia (principalmente a indústria química e metalomecânica, o turismo, os transportes e o sector energético) e as infraestruturas, principalmente pontes, estradas e barragens. É também neste período (1959) que o nosso país entra como membro fundador na Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) que consistia num projeto alternativo à Comunidade Económica Europeia, liderado em larga medida pelo Reino Unido. Sairia da EFTA em 1986, altura em que passou a integrar as então Comunidades Europeias (hoje União Europeia).

Mas, na década de 1960, o País começou a sentir alguma instabilidade por causa da crescente ação dos opositores democráticos que iam se tornar cada vez mais fortes porque cada vez mais pessoas queriam a liberdade e, principalmente, o fim da Guerra do Ultramar (1961-1974), tendo o serviço militar obrigatório sido progressivamente alargado para um mínimo de dois anos de permanência na guerra nas colónias africanas.

Em 1968, na sequência da queda de Salazar de uma cadeira, que o deixa mentalmente diminuído, Marcelo Caetano é nomeado para a Presidência do Conselho de Ministros, passando o partido único a ser designado por Ação Nacional Popular, a partir de fevereiro de 1970, no V Congresso da União Nacional. Este foi realizado no Hotel Estoril Sol e é evocada no discurso de abertura de Albino dos Reis a figura de António de Oliveira Salazar, ex-presidente do Conselho de Ministros.

A Assembleia Nacional reuniria pela última vez, sem quórum, na manhã de 25 de Abril de 1974, data do derrube do Estado Novo pelo Movimento das Forças Armadas, que com imediata e vastíssima adesão popular, punha fim ao regime do Estado Novo que dominara o país durante quase meio século.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)

https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/EstadoNovo.aspx

https://www.museu.presidencia.pt/pt/conhecer/presidentes-da-republica-eleicao-e-funcoes/ditadura-militar-e-estado-novo-1926-1974/

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/abertura-do-5o-congresso-da-uniao-nacional-no-estoril/

https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/relacoesbilaterais/paises-geral/associacao-europeia-do-comercio-livre

https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal_na_Segunda_Guerra_Mundial

https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/salazarismo.htm

https://expresso.pt/cultura/salazar-em-alto-contraste=f883867

 

Ataques à Síria

Mais uma vez me preocupa a interferência de terceiros nos conflitos armados. Desta vez, os EUA avançaram com um ataque à Síria, com o apoio da França e do Reino Unido. Pergunto-me qual é a posição da NATO em relação a este ataque...

O ataque teve o objetivo de destruir armamento e centros de investigação para o uso de armas quimicas e deu-se depois do ataque químico na cidade de Douma, na Síria, na semana passada. É esta a justificação. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o ataque e, segundo o Pentágono, uma hora após o anúncio de Trump, foram atingidos três alvos específicos, todos relacionados com o desenvolvimento e estocagem de armas químicas: um centro de pesquisa científica localizado em Damasco, um depósito de armas químicas e um posto de comando, que também servia como depósito, ambos localizados em Homs. Os danos causados ainda não foram calculados.

Segundo a Reuters, os ataques aéreos realizados por Estados Unidos, França e Reino Unido contra alvos militares sírios podem dar ao terrorismo uma oportunidade de se expandir na região, disse no sábado o Ministério das Relações Exteriores do Iraque.

As armas químicas vieram transformar a guerra, alterando os alvos e afetando as populações de outras formas. Ainda não sei descrever o que senti quando vi as imagens dos ataques da semana passada. Foi desumano e levou à morte de dezenas de pessoas. O regime de Assad foi acusado de lançar bombas com substâncias químicas venenosas contra civis, no decorrer de uma ofensiva das forças do governo sírio a Duma. Os socorristas que assistiram as vítimas, referem que famílias inteiras foram encontradas sufocadas pelo gás nas suas casas ou em abrigos. Muitas das imagens mostravam crianças mortas e outras em aflitiva procura por respirar.

 

Fontes:

https://observador.pt/2018/04/14/o-que-aconteceu-e-o-que-pode-acontecer-na-siria-depois-do-ataque-contra-assad/

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2018-04/ataque-siria-missionaria-brasileira.html

https://www.reuters.com/article/siria-iraque-ataques-expansao-terrorismo-idBRKBN1HL0UK-OBRTP

 

 

Queda de avião militar

A queda de um avião militar na Argélia conduziu à morte de 257 pessoas, quase a totalidade dos seus ocupantes, ao cair logo após ter descolado. Um incêndio terá deflagrado ainda antes da queda do aparelho. Segundo algumas fontes teriam havido dois sobreviventes, mas daquilo que tenho visto em outros sites ninguém terá ressistido à queda da aeronave.

O avião, de fabrico russo, teria capacidade para menos ocupantes do que os que transportava, a meteorologia pode não ter ajudado e o desastre acabou por deixar um rasto de morte a poucos quilómetros de Argel. 

Entre as vítimas estão soldados, familiares dos militares e elementos da tripulação. O avião de fabrico soviético - um Ilyushin Il-76 - que se dirigia para o sul do país, terá caído minutos depois de ter descolado. O desastre terá sido o mais mortífero desde a queda do MH17, da Malaysia Airlines, em 2014. 

 

Fontes:

https://observador.pt/2018/04/11/aviao-militar-cai-na-argelia/

https://pt.euronews.com/2018/04/11/aviao-despenha-se-na-argelia