Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caderno Diário

Caderno Diário

23
Abr18

"A chuva pasmada"

Elsa Filipe

"A chuva pasmada" de Mia Couto conta-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.

O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistência", estava pasmado como a chuva, estancara-se junto à vida, sufocado pelo próprio umbigo.

A mãe, com segredos de "mulher e água", o amor pelo seu homem que não a procurava, pois desistira dela como da vida. Mas "o amor não é a semente, é semear" e ela consegue inundá-lo de sangue, de amor, provocando-lhe ciúme. A tia com "propósitos de sombra", nunca casara, e via na indecisão da chuva um castigo para a sua secura.

O avô, detentor da memória maior é o elo entre todos e obstina-se em fazer a sua viagem. As pontes entre o céu e a terra são criadas e a chuva resolve cair. Cumpre-se a intenção do avô: "ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós". .".

20
Abr18

"A terra pura"

Elsa Filipe
Alan Space, foi um dos escritores que descobri em 2012, ano que as minhas idas à biblioteca do Seixal, foram várias.

 

Um livro de leitura compulsiva. Quando comecei, nas primeiras páginas pensei que seria daqueles romances que começam bem e depois desiteressam - completamente enganada! Recomendo a quem gosta de descobrir novos escritores que tente este livro.

 

É um romance absorvente onde dois mundos distantes e antagónicos se cruzam - o Oriente e o Ocidente - através do protagonista Thomas Glover que em 1858 deixa a sua terra natal para ir trabalhar para Nagasáqui. Numa sociedade feudal, fechada a qualquer contato com o exterior, Glover consegue adaptar-se e começa rapidamente a destacar-se e a prosperar.

 

É um romence histórico, baseado na vida de Thomas blake Glover, um escocês que se muda para o Japão em 1859 e que tem um papel determinante no desenvolvimenta da região onde se instala. Neste romance podemos seguir de uma forma especial o caminho percorrido por Glover, um pouco como se seguissemos a sua própria biografia. Ele saiu ainda jovem de Aberdeen, Escócia, para trabalhar no Japão na empresa Jardine Matheson como comprador de chá verde. Logo abriu a sua própria empresa, comprando, secando e exportando chá para o exterior. Depois investiu em tráfico de ópio, e no câmbio e importação de itens diversos.

 

Foi da sua responsabilidade a construção da primeira linha de caminhos de ferro do Japão e a inauguração da primeira locomotiva. Onde obteve o seu maior sucesso, foi de facto quando começou a vender armas, canhões e navios, primeiro para o Shogum (que mandava no Japão naquela época) e depois para os clãs rebeldes, principalmente os Satsuma, Chosu e Tosa, que apoiavam a volta do governo imperial e uma maior abertura do Japão ao ocidente.

 

Como estes clãs eram compostos por samurais e não se misturavam com os estrangeiros, foi o primeiro casamento de Glover com Sono, do clã Satsuma, que acabou ajudando na sua aproximação comercial.
10
Abr18

"O amante do Vulcão"

Elsa Filipe

"O amante do Vulcão", é um livro de Susan Sontag. Não conhecia esta escfritora ainda e quando comecei a ler, pesquisei sobre a autora e descobri isto:

Susan Sontag nasceu em 1933, em Nova Iorque, cidade onde morreu, a 28 de Dezembro de 2004 e foi uma das mais importantes e influentes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século XX. Foi professora universitária, activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos em geral, ficcionista e ensaísta.

Sobre o livro:

Sir William Hamilton é um diplomata, arqueólogo, vulcanólogo e antiquário britânico, que tem um temperamento erudito e curioso que é também recordado como o marido complacente de Emma Hamilton, amante do Almirante Nelson, famoso pelas suas intervenções nas Guerras Napoleónicas e depois vitorioso na batalha de Trafalgar.

A história decorre em Nápoles, onde, de 1764 até 1800, Sir William, conhecido como Cavaliere, foi o embaixador britânico no reino das Duas Sicílias.

O romance é uma espécie de tríptico, dividido entre Hamilton, a sua esposa e Lord Nelson. No amor que irrompe entre Emma e Lord Nelson, o Cavaliere encontra outro daqueles fenómenos naturais da vulcanologia que ele só pode observar, nunca experimentar – Emma, cheia de alegria e uma certa vulgaridade, egoísmo, amor à vida, e crueldade; Nelson, uma fonte de mistério, herói militar e também um homem contraditório e um tirano impiedoso.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub