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Caderno Diário

Caderno Diário

20
Mai21

"Balada do Ultramar"

Elsa Filipe

Escrito por Manuel Acácio, esta "balada" leva-nos até à África do tempo do colonialismo, através das memórias de um homem que teme a perda das suas próprias lembranças. A família portuguesa vai para Angola em 1951 em busca de uma vida melhor, numa vida de trabalho mas recheada de momentos felizes. 10 anos depois essa felicidade começa a ser abalada pelo início da guerra colonial. Portugal tinha nesse ano perdido o domínio da Indía e ficou em vias de perder as colónias africanas.

Sem meias palavras, Manuel Acácio descreve-nos a guerra nas diversas perspetivas e num discurso até revoltado pela certeza que muito mais se poderia ter feito à época pelo governo português para proteger as comunidades que lá tinham as suas vidas e os seus bens e que de lá vieram sem nada e rotulados de retornados como se fossem cidadãos de 2ª no seu próprio país.

A morte e a saudade estão presentes neste livro, assim como o stress pós traumático do pós guerra que afetou centenas de soldados e as suas famílias.

Um livro que é uma aula da nossa história e que recomendo que deveria ser lido nas escolas, onde também se deveria falar da guerra como ela realmente foi e não com paninhos quentes. Muitas destas pessoas estão esquecidas, outros nunca recuperaram a vida perdida e ainda hoje vivem em dificuldades e é preciso falar-se disso!

14
Mai21

Maria João Abreu

Elsa Filipe

A vida é tão injusta. Todos os dias, a Maria João entrava nas nossas vidas para nos fazer rir ou para nos fazer chorar. A mim fez-me dar muitas gargalhadas e, por esse motivo, apesar de toda a tristeza e revolta que sinto nesta ida tão precoce, não consigo deixar de fazer um sorriso sempre que a lembro em papéis como a criada do "Médico de Família" ou mais recentemente em "Patrões fora". Não imagino como será para os colegas regressar ao palco sem a sua presença.

A partida deu-se ontem, aos 57 anos, no Hospital Garcia de Orta, depois de um aneurisma cerebral que lhe vinha dando sinais (segundo dizem agora vários colegas) mas ao qual ninguém deu a importância devida. Faz-nos perceber como somos tão pequeninos.

Dela, nunca esquecerei a sua presença nas revistas à portuguesa, junto de outras grandes figuras que admiro, como Marina Mota, Simone de Oliveira, João Baião, Joaquim Monchique, José Raposo, Natalina José ou Carlos Areia, entre tantos outros nomes.

Aqueles que nos marcam, irão sempre cedo de mais.

13
Mai21

Envelhecer

Elsa Filipe

Faz parte da vida, é um processo natural. Envelhecer não pode ser desistir da vida, nem abandonar o corpo à sorte do que há-de vir.

Porque é que envelhecer não pode ser apenas tranquilo?

Sem medos e sem dores? O olhar é o primeiro a ir, sem cor, baço, sem vida que resta de um centelha de esperança que já não está ali.

Ainda não me preparei para que me envelheçam os meus.

06
Mai21

"Pequenas memórias"

Elsa Filipe

"Pequenas memórias" é um livro de José Saramago. No início, fiquei um pouco na dúvida se iniciava a sua leitura, mas depois encantei-me logo nas primeiras páginas.

E Saramago, é Saramago o grande escritor (gostemos ou não do seu estilo) porque escreveu dezenas de obras, durante uma longa vida. "Pequenas memórias" é, de entre o seu estilo, um livro tão singelo, belo, que nos leva numa biografia da sua infância e juventude. Ao longo das páginas, Saramago organiza as suas próprias lembranças, confirmando por vezes alguns dos fatos descritos. 

São pequenos episódios, de uma infância simples e normal, com os seus altos e baixos familiares, as mudanças de casa, nascimentos, mortes, a sua passagem pela escola, as descobertas da sexualidade infanto-juvenil e muitas outras coisas, que de tão banais que poderiam ser, são pelo escritor destacadas como sendo as suas histórias, num livro sem presunções de ser grande, mas que de fato o é.

Agradeço à minha amiga Maria João que me estimulou a ler este livro e mo emprestou. 

15
Abr21

Artur Garcia

Elsa Filipe

Poucos se lembram deste cantor que cedo deixou - ou foi afastado - da vida pública de cantor, mas que teve uma vida completamente dedicada à música e ao entretenimento. Faleceu quase a completar os 84 anos, após um período de doença e de um AVC que o deixa dependente. Estaria muito debilitado e a residir numa residência de Cuidados Continuados em Cascais.

Como outros grandes nomes da canção da sua geração, Artur Garcia frequentou o Centro de Preparação de Artistas da então Emissora Nacional.  Além de programas como “Gente Nova ao Microfone” e “Serões para Trabalhadores”, participou em "Andam canções no ar", em "Melodias de Sempre" onde fazia duetos com vozes tão conhecidas como Simone de Oliveira, Fernanda Soares, Madalena Iglésias e Maria de Lourdes Resende.

Artur Garcia participou em várias edições do festival da canção, nomeadamente nas duas primeiras, em 1964 e 1965. Em 1967, interpretou “Porta Secreta”, uma canção composta pelo autor de “Ele e Ela”, Carlos Canelhas, com a qual atingiu o 5.º lugar, a sua melhor posição neste festival e que se revelou um dos maiores êxitos da sua carreira.

A última vez que representou o seu país na Eurovisão foi em 1974, com “Dona e Senhora da Boina”.

Foi também ator em diversas peças e filmes e em algumas produções da RTP. De 1978 a 1998, com menos atividade nos palcos, foi proprietário de uma loja de discos, em Lisboa. Em 1977 fez com Amália Rodrigues uma digressão aos Estados Unidos.

Foi homenageado em 2005 pela Câmara Municipal de Lisboa, aquando dos 50 anos da sua carreira.

Em 2015, participou no espetáculo “Scarllaty – 40 Anos, A Vida à sua Maneira”, dedicado a Guida Scarllaty, a personagem criada por Carlos Alberto Ferreira, pioneiro do transformismo em Portugal.

09
Abr21

"Quando o sol brilha"

Elsa Filipe

Hoje terminei a leitura do livro de Rui Conceição Silva, "Quando o sol brilha". 

Conta a história de Felismino, o pai, e de Edmundo, o filho, e da família e das pessoas da aldeia. Fala-nos de um Portugal interior, um Portugal dos anos 60 e 70.

E conta-nos as desgraças sucessivas a que aquela família é sujeita, como lidam com elas e como depois de estarem quase a cair no abismo, se conseguem recuperar. O final não é um final feliz, porque faltam ali pessoas muito importantes. Edmundo e a mulher perderam um dos seus maiores bens e têm o coração destroçado, mas olham para o futuro que podem dar aos outros filhos, querendo sempre o melhor para eles.

É uma história comovente e ontem, quando lia uma das partes mais trágicas da história, dei por mim no parque do hipermercado, dentro do carro a chorar copiosamente. São assim os bons livros, trazem ao de cima as nossas emoções e ajudam-nos a lavar a alma.

 

26
Mar21

"O último verão na Ria Formosa"

Elsa Filipe

Uma obra de José António Saraiva, conta-nos a história de Jacinto de Jesus, um médico, nascido nas Beiras, mas que trabalha em Tavira. Substituindo o médico legista da região naquele verão, é chamado para um cadáver dentro de um carro caído na Ria. O homem, ainda jovem, está ao volante, mas aquilo que parece uma morte por afogamento depois de um despiste, levanta muitas dúvidas ao médico.

Este livro é uma trágica história de amor em que as personagens envolvidas têm tantas camadas de personalidade que é difícil chegarmos ao âmago de cada uma delas. A mentira é a principal linha do enredo, que não permite o fácil desnovelamento da história. As tragédias vão-se sucedendo. 

O livro também nos mostra um Portugal de outra época, com os seus próprios costumes. As cartas que são o principal meio de comunicação entre as personagens principais da história e as viagens de comboio ou pela estrada nacional que nos remetem a um passado que afinal não nos está assim tão longínquo mas do qual já nem nos lembramos desta forma.

20
Mar21

"As cidades invisíveis"

Elsa Filipe

Nunca me passara pela cabeça a leitura desta obra de Italo Calvino. Agradeço à Analita e ao grupo de leitura e escrita criativa de que faço parte pela motivação para a leitura deste livro. 

É um romance em que nos deixamos levar numa espécie de jogo, um labirinto que vamos desvendando consoante nos vão surgindo novos pontos de luz, ou seja, desvendadas novas cidades imaginadas por Marco Polo nas suas visitas diplomáticas e que as vai descrevendo a Kublai Kehar.

O livro divide-se em tipos de cidades, ou caminhos, que são percorridos quase que aleatoriamente: "As cidades e a memória", onde encontramos Diomira com as suas "cúpulas de prata, estátuas de bronze" ou Zarna onde os velhos estão a remendar "as redes", "As cidades e o desejo" ou "As cidades e os olhos" são apenas alguns dos exemplos.

Tive de agarrar a história de uma perspetiva diferente da forma que normalmente faço, com papel e caneta ao lado para não me perder nas descrições e retirar de cada uma delas o sumo que tinham para me dar.

08
Mar21

Dia da Mulher

Elsa Filipe

Eu sou mulher e ter um dia que nos é dedicado a nós, faz-me muito orgulhosa. Mas eu nunca fiz nada para merecer este dia. Sou apenas eu, mãe e trabalhadora, que faço o que posso, mas nada de excecional.

Mas na minha vida tive e tenho mulheres excecionais. A minha mãe que já me deixou foi uma delas, uma lutadora até ao fim, sempre de cabeça erguida enfrentava o mundo. A mãe que nos trazia sempre limpas, arranjadas, mas que nos deixava brincar na terra, apanhar caracóis de chinelos e chegar a casa cheias de picos, ou subir às figueiras para roubar figos na Fonte de Carvalho. Que às 07h da manhã nos levava ainda ensonadas para a cozinha da Santa Casa, para ir trabalhar. A mãe que me levava à noite para o carnaval, que me ensinou como "sobreviver" à confusão e a amar aquela festa, desfilando comigo e com a minha irmã nos primeiros anos, na escola de samba "Juventude na Baía". Que me mostrou que podemos mentir mas só no dia das mentiras, que podemos fazer badalos no carnaval e colocar espuma de barbear em todos os carros da rua (incluindo no do meu pai, para os vizinhos não desconfiarem). Ainda me viu entrar para o meu curso, que sempre apoiou, mas já não me viu completar o 1º ano, nem nunca chegou a andar de carro comigo. Na verdade, a minha primeira viagem a conduzir de carta acabadinha de tirar foi de minha casa para o IPO e nas (poucas) semanas seguintes era assim que treinava a condução, no carro do meu pai ou do meu tio, vingando "sozinhas" nas rotundas de Lisboa, na auto estrada - nunca fui medrosa a conduzir.

Dela herdou a minha irmã muitas caraterísticas e por isso a admiro todos os dias mais, por estar sempre, sempre, pronta a ajudar. Mesmo nos piores momentos, levanta-se e parece um furacão enfrentando tudo e todos. Quase telepaticamente, dou-me a pensar em ligar para ela e está o telemóvel a tocar. Independente muito cedo, tal como eu, fez da raiva e da tristeza força, uma força imensa que leva tudo à frente se preciso for. E que me deu as meninas mais lindas do mundo que amo como se fossem minhas tanto como ao meu filho.

E a minha avó, sem a qual nada disto teria sido possível. Pois foi ela que lutou com unhas e dentes por salvar os filhos e a si mesma, dando-lhes uma vida melhor, que enfrentou todos e depois, nos deu a nós tudo. A minha avó esteve sempre lá, a perda da sua menina fez-la sofrer até hoje e deixou marcas muito profundas, mas é aquela avó a quem recorremos quando precisamos de alguma coisa, que nos dá tanto sem "mostrar" que dá. 

A avó onde ficavamos o verão todo para podermos ir para a praia com os nossos primos e os nossos amigos. Que me deixava ler aqueles livros que estavam nas prateleiras e que ainda não eram para a minha idade. E que ensinou a ler, a escrever, a contar, somar multiplicar, dividir. Que me ia todos os dias levar o lanchino ao portão da escola, a casa de quem ia almoçar, lanchar e às vezes ficava também para juntar ou dormir. 

Estas foram as mulheres que mais me influenciaram no meu crescimento. As que tenho em mente sempre que tenho de fazer uma escolha. As que moldaram a minha personalidade.

07
Mar21

RTP 64 anos

Elsa Filipe

Hoje o meu post é dedeicado à história da Rádio e Televisão de Portugal que completa hoje 64 anos, mas o seu início vem de há oito décadas, começando de certa forma com a atividade da Emissora Nacional em 1935.

A Emissora Nacional contava com duas emissões diárias, uma à hora de almoço e outra ao serão.

A 16 de janeiro de 1956, na Presidência do Concelho de Ministros, é celebrado o primeiro contrato de concessão de Serviço Público de Televisão, assinado por Camilo de Mandonça (Presidente da Administração da RTP) e por Marcello Caetano (Ministro da Presidência e Ministro das Comunicações interino). A 4 de setembro de 1956 acontece a primeira emissão experimental na Feira Popular, na altura em Palhavã, Lisboa.

A Radiotelevisão Portuguesa começa a emitir a  7 de Março de 1957,  em abril de 1958, a Televisão cobria 44% do território nacional e chegava a cerca de 58% da população, só atingindo todo o país em meados dos anos 60.

Sabiam que... a RTP1 emite ainda hoje o programa de informação mais antigo de Portugal: o Telejornal. Foi para o ar pela 1ª vez a 19 de outubro de 1959. O primeiro diretor de programas foi Miguel Araújo.

Só a 25 de dezembro de 1968 começaram as emissões dRTP2.

A compra de televisores em Portugal aumentou muito após 1974 tendo em consequência disso, as audiências da RTP também aumentado bastante.

As primeiras emissões a cores, surgiram em 1976 com as eleições legislativas com recurso ao sistema SECAM.

As emissões a cores voltaram em 1979 com a transmissão dos jogos olímpicos mas só se tornaram regulares a partir de 7 de março de 1980.

No ano de 1990, a RTP1 mudou de nome passando a chamar-se "Canal 1", mas em 1996, regressou ao seu antigo nome "RTP1" para reforçar a identidade do serviço público frente às suas concorrentes privadas - SIC e TVI.

 

Parabéns RTP.

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