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Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Caderno Diário

Escrever é algo que me apraz. Ante a minha vontade de criar, muitas vezes me falta tempo. Aqui passo da vontade à prática. Este é um caderno onde escrevo sobre a minha vida pessoal e temas da atualidade que me fazem refletir.

Reencontros

Se a edição do meu livro foi um sonho teornado realidade, a verdade é que além da satisfação pessoal, a sua saída trouxe-me muitas outras coisas boas. Uma delas foi a possibilidade de voltar a falar com algumas pessoas com as quais a vida me tinha feito perder o contato e, também, voltar a encontrar-me com alguns amigos.

A possibilidade de rever algumas pessoas, de ir entregar o livro em mão (na maioria das vezes ficava mais barato enviar por correio), com uma dedicatória, umas palavras pensadas em especial para aquela pessoa, tornam o momento em que o livro troca de mãos ainda mais especial. Não sei se dará vendas suficientes, mas já estou a ganhar com este retomar de relações que fui perdendo. As redes sociais trazem esta possibilidade, tanto na divulgação do próprio livro, como no reencontrar de pessoas, antigas colegas de curso, antigos colegas de trabalho, amigos que nunca deixaram de estar presentes, mas com os quais não falamos todos os dias.

Sou muito crítica em relação ao meu trabalho e com este meu livro não foi exceção. Para mim, há sempre algo a melhorar, algo que as pessoas não vão gostar. 

Mas os comentários ao meu trabalho têm sido bons. Tenho ouvido e lido frases de motivação e de incentivo e, sobretudo, de surpresa. Quem me conhece bem, sabe que eu sempre gostei de escrever e que sempre escrevi muito.

Este passo da edição foi uma aventura, um risco grande que eu corri sozinha. Tinha de ser sozinha, sem ninguém das minhas relações que se envolvesse demasiado ou investisse no projeto. Se correr mal, terei de ser só eu. 

Vivi e o dragão_img_novidade.jpeg

Orlando Costa

Infelizmente, as notícias desta sexta-feira, deram conta do falecimento do ator Orlando Costa com 73 anos. 

Orlando Costa, conhecido também do grande público pela sua participação em séries e em novelas nacionais, nasceu em Braga, a 24 de dezembro de 1948. 

Em 1969, Orlando Costa, estreou-se como profissional no Teatro Experimental de Cascais, com a peça "Um Chapéu de Palha de Itália", tendo-se destacado no percurso que fez na televisão com o icónico papel que interpretou na série "Zé Gato", corria o ano de 1979, na RTP.

Na década de 70, o ator estreou-se no cinema, onde se deu a conhecer em várias produções como por exemplo "Jogo de Mão" (1982), "Amor e Dedinhos de Pé" (1993) ou em "Sapatos Pretos" (1998).

Em 1973, foi também fundador do Teatro da Cornucópia, com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo. 

Na televisão, trabalhou com todos os canais e entre vários trabalhos que fez, destaca-se a sua participação em "Duarte e Companhia" (1985) na RTP, "Desencontros" (1995), "Polícias" (1996), "Ballet Rose"(1998), "O Fura-Vidas" (1999), "Esquadra de Polícia" (1999), "Capitão Roby" (2000), "Olhos de Água", "Conta-me como foi", "Inspetor Max" (TVI), "Morangos com Açúcar" (TVI), "Os Filhos do Rock" e claro, fez parte da maravilhosa equipa de "Malucos do Riso" (2001) na SIC e em "João semana" (2005)

Em 2007 integrou o elenco de Hamlet de Shakespeare, numa encenação de André Gago, que o levou a percorrer o país.

Ultimamente, participou na SIC em "Amor Amor" e "Por Ti", onde era o sargento Silva. Era uma pessoa muito ativa e querida dos seus colegas e do público que o gostava de ver trabalhar. Uma grande perda que deixa mais pobre o nosso teatro e televisão.

Editando um sonho

Sai hoje o meu livro. A partir de hoje, estará nas bancas "Vivi e o dragão". Um conto infantil, com sabor a mar e cheiro de praia. Convido-vos a conhecer a pequena "Vivi" nesta aventura fantástica pelo mundo da imaginação e dos sonhos, dos dragões e dos pós de fada. Espero que traga momentos felizes a muitas crianças pelo nosso país fora.

A construção deste livro começou com um pequeno conto para participar num concurso da editora Cordel de Prata. Mas depois, as coisas foram-se complementando e, um ano depois, está aqui o resultado final. Estive muito ansiosa por ver o resultado final e, tendo em conta que ainda não tenho os meus exemplares na minha mão, essa ansiedade ainda não passou.

Vivi e o dragão_img_jadisponivel.jpeg

O dia coincidiu com um acelerar do processo para poder ser lançado ainda nesta feira do livro (onde irei também ter uma sessão de autógrafos), mas não foi escolhido por nenhuma razão em especial. 

As madrugadas

Acordo. A madrugada ainda não deu lugar ao calor que se adivinha mas o meu corpo já não quer estar mais no aconchego dos lençois. Que se lixe. Tenho umas séries para ver, umas coisas para escrever e, se calhar, um café ajudava a começar a manhã. Faço o café, arrumo a loiça que deixei na máquina, ligo a tv. Volto para cima da cama. Tv ligada e o pc preparado para pôr em prática mais um exercício de escrita. É mais fácil escrever de madrugada. Antes dos outros problemas do dia começarem a chegar em rajadas e a deturpar-me as ideias e a vontade.

Ontem o dia não coemçou bem. Andei à procura da marcação para a consulta na Unidade da Dor, que estava marcada desde abril. Pensava que era às 11h. Encontro o papel, no meio de umas outras papeladas perdidas, são 9h43m. "Vou já sair e aproveito para ir beber café", olho para o papel que tenho na mão. A consulta é às 10h. Estou atrasada. Saio de casa e pelo caminho vou mais uma vez pensando que tenho de ter calma, ouvir o que me vai ser dito, respirar e sair dali com calma, "vai ser só mais uma consulta". Minutos depois de entrar no gabinete, já estou a chorar. Perco de vez a calma e "que se lixe" hoje vou pôr tudo cá fora. Afinal, não tenho mais ninguém a quem me queixar! A médica volta a falar da minha postura e eu disparo que assim tenho menos dores, que ela me está a avaliar em dois minutos ali e que nas restantes horas e dias da minha vida sou apenas Eu sozinha a lidar com a dor, com a incapacidade, com o julgamento dos outros. Se é para me julgar também então não vim ali fazer nada. Ela pede autorização para me encaminhar para a psicóloga. Até que enfim, penso. É um direito que eu tenho, já tive consultas mas tive de as pagar do meu bolso. Avançamos mais um pouco hoje. Depois de me ouvir, lá me avalia os pontos de dor e descobre os gatilhos. O toque dela parecem facas a perfurar-me a carne, uma facada de cada vez. Torço-me e as lágrimas caem em silêncio. Tento responder quando me faz perguntas mas as palavras estão turvas na minha mente. A dor ultrapassa já a vontade de falar. Só quero que ela me deixe sair dali.

Lá resolve fazer uma eco para me ver o ombro - surpresa, há ali qualquer coisa algures na acromioclavicular - informo que já sabia, que já esteve pior do que está agora. Já passaram alguns anos desde que fiz fisioterapia. Agora as dores estão piores porque me torceram o braço esta semana, tento explicar. Saio da consulta com mais uns comprimidos para tomar à noite que "ajudarão nas dores e a descansar", com indicação para não desistir da hidroginástica, para aguardar a chamada para o rx e para ir pedir à médica de família que me passe fisioterapia. Voltamos ao jogo do empurra e das burocracias. Pior se quero um relatório: iam ser duas páginas a explicar o processo e acho que quase será mais fácil ir doutorar-me em medicina primeiro - deve ser mais rápido.

Depois do almoço vou trabalhar. Enquanto estou sentada a preencher a folha de ponto, um dos meninos chega por trás de mim. Agarra-me a cabeça e o pescoço entre os seus braços e sufoca-me, aperta-me. Tento manter a calma, enquanto a minha colega tenta que ele afrouxe o aperto. Os outros miúdos aproximam-se e tentam ajudar. Acho que tanta gente de volta dele só o faz apertar mais. Sei que só passaram uns segundos. Estou bem. Não, não estou bem. As dores disparam e o ombro, o braço, o pescoço parecem a escaldar. Foi o gatilho mais do que a força que ele colocou no aperto. Não entendi e enquanto tento voltar a respirar, chamam-no e levam-no para os pais que entretanto o vieram buscar. Hoje vão sair daqui sem saber o que ele me fez. Não tenho forças para lhes ir contar e a minha colega que o vai entregar não teve tempo de saber o que se passou. Ele não tem culpa. Eu tenho culpa de ter baixado a guarda e estar distraída a preencher um papel. Nem me apercebi da presença dele atrás de mim, ou se o vi, não o senti como uma ameaça. Ele não é ameaçador. Eu não tenho medo dele. Mas sentir-me agarrada e apertada faz despoletar em mim uma sensação de pânico. Passaram-se sete anos e ainda sinto que me estão a agarrar. Por momentos, aquela criança passou de ser apenas um rapaz, autista, para ser aquele outro que me agrediu naquela tarde e que nunca vou esquecer.

Tenho de respirar. O dia continua. As pessoas à minha volta continuam nas suas rotinas e não sabem o que se passou. Respondo sem pensar a algo que me perguntam e acusam-me de estar a "fazer aquele olhar", a "responder torto"... nem me lembro o que me perguntaram, não sei que olhar é que fiz. Por momentos, só me apetece sair dali. Deixem-me ir para casa por favor, é só o que estou a pensar naquele momento.

A tarde passa, aos poucos as coisas vão voltando ao normal. Saio do trabalho. Tenho várias coisas ainda para fazer e o meu filho lembra-me que tinhamos combinado ir ao Batuque. Quero ir. Deixei de ir porque tinha de recuperar. Já entendi que nunca vou estar completamente bem, então... que se lixe! Se amanhã não me mexer será porque estive a fazer algo prazeroso e não a chorar enroscada num canto. A dor esteve sempre ali, presente, como um ferro a escaldar encostado no ombro ou uma faca que de vez em quando me penetrada no braço, mas assim que a música arrancou eu fazia parte daquela bateria. Deixei-me ir, sem pensar num enredo que nunca tocara mas que segui durante mais de uma hora como se tivesse ensaiado dezenas de vezes. Sete anos, desapareceram como se tivesse ensaiado na semana anterior. E o meu filho tentou estar ali, mostrou vontade de aprender, quis saber os nomes dos instrumentos e como se tocam. Diz que vai desfilar e então iremos os dois como fizemos antes. Criar memórias. Um dia ele vai lembrar-se de mim e de como eu e ele desfilavamos. Um dia ele vai saber que estivemos juntos e  que ultrapassei muita coisa. Hoje será igual, posso ter um dia bom ou mau. Posso ter dores ou não. A dor crónica é a malvada que nos destrói sonhos. Mas eu vou pisá-la mais do que ela me vai pisar a mim.

Comportamentos

Na minha prática pedagógica deparo-me muitas vezes com situações que me fazem pensar se sei ou não lidar com elas. Como por exemplo, quando uma criança autista está a partir um objeto. A sua ação é repetita ao longo dos dias. É uma fixação com aquele local e aquele pedaço de friso em específico e tento sempre distrair a sua atenção para outra coisa que lhe possa trazer interesse. Às vezes funciona. Outras vezes, como hoje, ter havido uma outra criança a tentar intervir (boa vontade dela mas que neste caso prejudicou mais do que ajudou) fez com que a minha tentativa de aproximação resultasse numa agressão. O menino é autista, o espaço tem muitos estímulos visuais e sonoros, as rotinas foram alteradas. Tudo isto causa crises mais frequentes. Tentamos lidar com elas em equipa, com observação e avaliação conjunta, mas sinto que nos falta como equipa comunicar mais (em especial sobre estes casos mais específicos).

Preciso de algum apoio e de estratégias para ajudar este menino, mas mais do que isso, preciso de ajuda para que eu seja uma melhor profissional para ele e para todos os outros. Eu preciso de reavaliar as minhas ações. Todos os profissionais da educação o têm de fazer! Tenho de estar tranquila e segura de que aquilo que faço é o mais correto, só assim, nesta constante avaliação, consigo progredir e dar o meu melhor a todos os meus meninos e meninas.

20 anos

As pequenas coisas ficaram e ainda na outra noite sonhei que me estavas a tapar e aconchegar. Senti as tuas mãos mas não me conseguia virar para ver o teu rosto, o sonho começa de repente a ser um pesadelo em que não me consigo mexer com o corpo paralisado e já nem conseguia acordar do sonho que sabia não ser realidade. Mas queria ver-te. Quando acordei abri a janela e estava um incêndio a começar na loja em frente à minha casa. Tremia tanto que nem conseguia ativar o telemóvel.

No dia seguinte as dores eram tamanhas. Os músculos contraídos não correspondiam depois de uma noite sem descanso. Não foi fácil. Felizmente, já consegui descansar um pouco esta noite e hoje já me sinto melhor. É com tranquilidade agora que recordo que já se passaram 20 anos da maior perda da minha vida. Estamos juntos hoje, eu a avó e o meu filho. 

A vida passou e tenho vencido muitas batalhas. Dou valor a tudo o que tenho conseguido atingir e, sim, tenho cometido muitos erros dos quais me arrependo. Não sou perfeita, tenho uma vida que não é fácil, mas tenho tudo o que preciso para sobreviver e para criar o meu filho em condições. Só isso é importante para mim. O resto é apenas acessório. Vou conquistando o meu lugar aos poucos.

Tenho conhecido algumas pessoas especiais. Não acredito na existência de nada além do nosso mundo físico. Acredito que a nossa mente ainda é um lugar por descobrir e que encerramos na nossa cabeça muitos segredos por desvendar. Hoje estamos com um dia muito quente e sabe bem estar em casa, a dormitar, a ver séries, a pintar e a escrever. Mais daqui a bocado podemos se calhar ir passear ou comer um gelado. É bom ter essa possibilidade num bom dia de julho, mesmo que seja um dia triste de memórias distantes.

 

Aqueles que são por nós...

Não estou habituada a que sejam os outros a terem o cuidado de me facilitar a vida. Hoje uma pessoa fez um gesto para comigo que me deixou bastante sensibilizada, chamando a atenção aos colegas de trabalho e também aos miúdos, que eu tinha uma doença chamada fibromialgia e que apanhar o frio da água me iria prejudicar. Fiquei espantada porque nunca ninguém tinha feito isso por mim. Estávamos na praia, primeiro dia e, apesar de já ter conversado com ela sobre isso, não estou habituada a que as pessoas se lembrem de mim nestas alturas e me tentem facilitar a vida. De facto, até teria de ficar alguém nas toalhas, a vigiar as crianças que não iam tomar banho, mas ela ter tido aquele cuidado protetor para comigo, significou muito. Fiquei sem reação, mas bastante agradecida pelo seu gesto. Acho que estou a ganhar ali uma amiga, mas mais do que isso, ela está a ser uma professora para mim, mais do que uma colega, com as palavras e os ensinamentos certos na altura certa. Eu sou muito explosiva e preciso de alguém que me ajude a controlar a minha impulsividade, que me compreenda e oriente, sem críticas destrutivas. Algo que me faz falta.

Hoje cheguei a casa perto das 16h e pouco e vim logo para a cama. Tenho tudo desarrumado, não tenho vontade nem forças para fazer mais nada do que ir trabalhar e voltar. Consigo dar muito no trabalho, mas depois venho para casa exausta e cheia de dores. Estou aqui no computador porque tenho formação do Word e não quero ter falta, mas não sei se hoje aguento até ao final da sessão...

Perder-me, lá bem no fundo...

Se há coisas que me fazem perder as estribeiras, é quando os meus planos saem furados. Sabem aquela semana em que começamos a planear tudo, mas depois chega a sábado e todos os planos meticulosamente pensados dão em nada? Não importa, pois nem era nada de especial, pensando agora sobre isso, mas o que magoa é quando alteramos o que queríamos ou gostaríamos de fazer, sem que haja ninguém a nos valorizar por isso. Sem querer, acabei por passar o fim de semana quase que sozinha. Havia festa aqui no Seixal, mas também não tive paciência para lá ir. 

No sábado chegou também a máquina que finalmente consegui adquirir (com uma ajudinha especial) mas nem isso me fez feliz, porque a água ainda não está a funcionar e por continuo sem a conseguir utilizar. Devia estar feliz, mas não estou, não sei poruqê, estou zangada com tudo. Sabem aqueles dias em que apetece apenas um casulo onde nos fecharmos e desaparecer durante uns dias? Não para sempre, apenas até isto passar, já que também não tenho uma daquelas máquinas de viajar no tempo que penso que já deviam ter inventado! É que me acontece isto muitas vezes, aqueles dias que começam mal, que nada que se faça parece ajudar a que melhorem, muito pelo contrário. Só sei que aliado a isto, a dor se começou a instalar e, sim, a fibro sendo uma doença oportunista deprime e aproveita a depressão como se fossem amigas inseparáveis e não vivessem uma sem a outra. Estou a conseguir hoje recuperar um pouco, depois de umas caminhadas difíceis e de hoje ter aguentado um dia de trabalho cheia de dores.

Felizmente, foi o mesmo trabalho onde pude me divertir, passar tempo com gente interessante e trabalhadora e descarregar um pouco o meu stress. Começaram as Férias Desportivas e hoje foi dia de uma batalha de balões de água. Resultado, as articulações das minhas mãos estão a queimar com o gel de efeito quente que coloquei para tentar ultrapassar as dores insuportáveis. Agora já não sei se é pior aguentar as dores ou esta sensação de queimadura e a comichão! Aproveitei e pus o gel onde me doia, ou seja, nos ombros, na lombar, nas duas pernas, nos pulsos, nos dedos das mãos... está simplesmente insuportável de aguentar. Cheguei a casa perto das 18h e vim logo, logo, para a cama. Estou um pouco mais calma, menos zangada, mas ainda a recuperar - sei que vai demorar uns dias na melhor das hipóteses -  a voltar ao normal das dores suportáveis sem me encher de medicação e sem cair à cama assim que chego.

Chegou o verão

Verão. Dias quentes, dias maiores, dias mais bonitos...

Não sei se entretanto me enganei na estação, ou se saí antes da minha paragem, mas está frio, estou cheia de dores e tive de ir novamente assaltar a farmácia. Não posso ficar na cama como me apetecia porque (felizmente) já em encontro a trabalhar e estou muito feliz com isso. Mas subir a escada até à minha sala tem sido um martírio nos últimos dias, apenas superada pela dura tarefa de voltar a descer. Sim, descer é bem mais custoso que subir, não me perguntem porquê.

E é isto, passar os feriados e fins de semana na cama e no sofá, apenas me obrigando a levantar para as coisas obrigatórias como levar o meu filho ou ir buscar e ir acompanhar os meus atletas aos jogos e torneios marcados e aos quais não posso faltar. De resto, estou a adorar a chegada do verão este ano...

Paula Rego

Faleceu a pintora Paula Rego, com 87 anos, na sua casa em Londres onde estava acompanhada da família.

Nascida em Lisboa, no dia 26 de janeiro de 1935, a pintora dividiu sempre opiniões em relação à sua obra. O que não podemos deixar de dizer é que usava a arte para fazer valer os seus valores contra a opressão, o que muitas vezes fazia com que uns a admirassem e outros a odiassem. Uma dessas coleções foi "Aborto", tendo sido se calhar a que recentemente mais impacto político e social teve em Portugal, produzida durante a campanha pela despenalização deste procedimento no nosso país.

Paula Rego começou a desenhar ainda criança, partindo das ideias das histórias que lhe contavam e daquilo que via e imaginava. Cedo lhe reconheceram talento e os seus professores (na St. Julian´s School, em Carcavelos) ajudaram a que fosse possível ir para Londres apenas com 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Em 1975, conseguiu uma bolsa atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian para poder fazer pesquisa sobre contos infantis. 

Seria em Londres que viria a conhecer o artista inglês Victor Willing, que viria a ser seu marido. Mais tarde, em Cascais, Paula Rego exibiu por várias vezes na Casa das Histórias a obra deste conhecido artista que faleceu vítima de esclerose múltipla. É também na Casa das Histórias que está uma grande parte do acervo das suas obras.

Na pintura, Paula Rego destaca-se então pelas imagens típicas da infância, por vezes até consideradas fetichistas ou mesmo traumáticas. Podemos dizer que se relacionam ou que exemplificam cenas de violência. Os animais são frequentemente os protagonistas da sua linguagem artística, mas representa também outros temas como as mulheres ou o abuso do poder.

A artista recebeu vários prémios, tais como o Prémio Turner em 1989 (atribuído normalmente a artistas britânicos), o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2013, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 2004.  No ano de 2010, Paula Rego foi galardoada com a Ordem do Império Britânico com o grau de Oficial, pela sua contribuição para as artes, das mãos da Rainha Isabel II. Em 2016, recebeu também a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.

 

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